O FIM DA ESCURIDÃO…
Tarde
de Verão; uma chuva torrencial lavou a cidade. O aguaceiro com raios e
trovoadas passou rápido e noite chegou esplendorosa, durante a tempestade um
raio danificou as torres de transmissão de energia elétrica, a cidade estava
totalmente às escuras e algo inusitado ocorreu.
de Verão; uma chuva torrencial lavou a cidade. O aguaceiro com raios e
trovoadas passou rápido e noite chegou esplendorosa, durante a tempestade um
raio danificou as torres de transmissão de energia elétrica, a cidade estava
totalmente às escuras e algo inusitado ocorreu.
No
Largo da Matriz, crianças vestidas de anjinhos de procissão brincavam de
esconde-esconde… Moços, velhos, índios, escravos, donzelas e raparigas,
padres e freiras, beatas e pecadoras, lotavam a antiga praça. Gente de todas as
épocas históricas, com seus trajes típicos, seus trejeitos, seus falares
peculiares tentavam entender o que acontecia…
Largo da Matriz, crianças vestidas de anjinhos de procissão brincavam de
esconde-esconde… Moços, velhos, índios, escravos, donzelas e raparigas,
padres e freiras, beatas e pecadoras, lotavam a antiga praça. Gente de todas as
épocas históricas, com seus trajes típicos, seus trejeitos, seus falares
peculiares tentavam entender o que acontecia…
–
“Aquela criança, a de asinhas de anjo e camisola branca, foi meu filho e o
garoto com quem brinca é Bentinho, meu amigo que morreu na infância…”,
apontou um vetusto cavalheiro, vestido à moda do século XVII.
“Aquela criança, a de asinhas de anjo e camisola branca, foi meu filho e o
garoto com quem brinca é Bentinho, meu amigo que morreu na infância…”,
apontou um vetusto cavalheiro, vestido à moda do século XVII.
–
“Eu conheço aquela bela índia; é a jovem Porongaba! Aquela da Fonte da
Saudade… Pelo que vejo ainda não parou de chorar.”, disse um senhor com
trajes de bandeirante.
“Eu conheço aquela bela índia; é a jovem Porongaba! Aquela da Fonte da
Saudade… Pelo que vejo ainda não parou de chorar.”, disse um senhor com
trajes de bandeirante.
Um
marinheiro, aparentemente alcoolizado, procurava pelo Porto Grande e um feitor
açoitava um escravo fugido em meio ao aplauso da ralé. Um padre, de negra
batina, vigiava com olhos cúpidos a pecadora que roubara a sua santidade. O
assassino procurava se esconder de sua vítima. O corrupto indagava pelo ouro e
apontava os comparsas das muitas tramoias.
marinheiro, aparentemente alcoolizado, procurava pelo Porto Grande e um feitor
açoitava um escravo fugido em meio ao aplauso da ralé. Um padre, de negra
batina, vigiava com olhos cúpidos a pecadora que roubara a sua santidade. O
assassino procurava se esconder de sua vítima. O corrupto indagava pelo ouro e
apontava os comparsas das muitas tramoias.
Jovens
demônios serviam em finas taças de cristal o sangue de milhares de vítimas;
vitimas do descaso, da desonra, da fome, do desamparo, da politicagem, do
roubo, da luxuria, da rapinagem, das lágrimas das mães e das amantes traídas.
Os capetas conheciam um a um todos os convivas do festim; nenhum inocente,
salvo os anjinhos, participava daquele lúgubre encontro e todos bebiam e
blasfemavam.
demônios serviam em finas taças de cristal o sangue de milhares de vítimas;
vitimas do descaso, da desonra, da fome, do desamparo, da politicagem, do
roubo, da luxuria, da rapinagem, das lágrimas das mães e das amantes traídas.
Os capetas conheciam um a um todos os convivas do festim; nenhum inocente,
salvo os anjinhos, participava daquele lúgubre encontro e todos bebiam e
blasfemavam.
Frente
à porta do grande templo agrupavam-se os arrependidos, os cansados de sofrer,
os que buscavam a misericórdia divina; eram poucos os compungidos pela dor…
Um hino de louvor à Deus fez-se ouvir; eram os anjinhos de procissão, os que
morreram puros, que pediam pelos pecadores… A porta da igreja se escancarou;
em meio a uma branca luz, ELE chegou, ergueu aos céus em súplica as divinas
mãos e uma neblina dourada envolveu a praça… Poucas ovelhas regressaram ao
redil… Muitas ovelhas retornaram à escuridão… A energia voltou; na praça de
muitas lâmpadas nenhuma evidência do estranho fenômeno, o ar estava mais
límpido, a cidade parecia mais calma, quem passava pelo local sentia uma súbita
vontade de ser bom, honesto, compreensivo, de amar a Deus e a aos semelhantes
como a si mesmos.
à porta do grande templo agrupavam-se os arrependidos, os cansados de sofrer,
os que buscavam a misericórdia divina; eram poucos os compungidos pela dor…
Um hino de louvor à Deus fez-se ouvir; eram os anjinhos de procissão, os que
morreram puros, que pediam pelos pecadores… A porta da igreja se escancarou;
em meio a uma branca luz, ELE chegou, ergueu aos céus em súplica as divinas
mãos e uma neblina dourada envolveu a praça… Poucas ovelhas regressaram ao
redil… Muitas ovelhas retornaram à escuridão… A energia voltou; na praça de
muitas lâmpadas nenhuma evidência do estranho fenômeno, o ar estava mais
límpido, a cidade parecia mais calma, quem passava pelo local sentia uma súbita
vontade de ser bom, honesto, compreensivo, de amar a Deus e a aos semelhantes
como a si mesmos.
Gastão Ferreira/2014
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.