Área de lazer
         Passei
um bom tempo no facebook lendo as reclamações do povo, Sabe como é! A voz do
povo é a voz de Deus. Deus tem tantas vozes; a do Padre, a do Pastor, a do
Pai-de-santo, a do ciumento, a do puxa-saco, a do invejoso, a do pobre, a do rico,
a da madame, a do bonito e a do feio, e muitas e muitas outras, todas metendo a
colher torta e todos puxando a voz de Deus para a sua própria manjuba, a nossa
sardinha.
         Entre
tantas reclamações, uma que grita por nossa atenção, é a sujeira das ruas,
aquela que causa o entupimento de bueiros e coletores de água pluviais. Tão
simples de resolver; não jogue papel, casca de frutas, sobra de matérias de
construção no meio da rua. Varra diariamente a sua calçada, ela é sua e não da
prefeitura. Pode estender a limpeza até o meio da rua, não se morre por isso.
E, se algum desavisado, sujar a sua bela calçada, encha o sujeito de desaforo.
         Antigamente,
não tão longe assim, não existiam áreas de lazer. Vamos entender por área de
lazer um local coberto, ou um lugar apropriado para a criançada brincar; um
horror! Ninguém soltava pipa, jogava pião, taco, bolinha de gude, nem
disputavam corrida, aquelas em que o último à chegar era a mulher do padre,
puro bulling e ninguém sabia.  As meninas
não brincavam de roda, chicote queimado ou ciranda, cirandinha…
         Pois
é! Tem gente exigindo áreas de lazer. Área de lazer para quê? Voar num skate,
jogar videogame, andar de patins, namorar, sei lá! Hoje está tudo mudado.
Melhor prestar atenção nas notas escolares dos filhos. As crianças de ontem se
divertiam adoidadas, e sem área de lazer; ainda existem árvores para serem
escaladas e se espiar os ninhos, ainda é possível nadar na Fonte, pedalar na
Orla do Valo, disputar uma pelada nos muitos campinhos das vilas, em total
segurança.
         Na
verdade este texto não é sobre áreas de lazer, ou jogar lixo nas ruas, é sobre
cidadania; aparentemente todos nós queremos ser bem servidos, mas um pequeno
detalhe chama à atenção, ninguém quer servir, ninguém quer fazer a parte que
lhe compete, tipo assim; todos querem uma fatia do bolo, mas ninguém quer fazer
o bolo. Resultado! Ninguém vai comer o bolo, pois não tem bolo.
         Quer
reclamar? Reclame, grite, xingue… A educação é sua, é o seu passaporte
social; mostre quem você é! Mas, antes de reclamar, dá um tempo, e se pergunte;
– Será que eu estou fazendo a minha parte? Em que eu colaboro para a melhoria
da comunidade, e não se esqueça; a cidade não é sua, mas de todos os que nela
vivem.
Gastão Ferreira/2017
           
          

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