“A esquerda manjuba”

         A
“esquerda manjuba” é a prima pobre da “esquerda tainha”, e da “esquerda
robalo”; a contrapartida da “direita manjuba”, da “direita tainha” e da
“direita robalo”, enfim cada lugar tem quem reclame de tudo e de todos.
         O
ressentimento é um espinho gravado bem fundo no coração do homem; sempre existe
quem aplaude e quem critique. O calçamento estava perfeito e vem a reclamação
do “robalo”; – “Não orna com a beleza local, onde estão as árvores do canteiro
central? Aliás, o canteiro central foi esquecido.”
         A
“esquerda tainha” se contenta com menos; – “Quero ver na Festa de Agosto! No
mínimo vão esburacar tudo.”
         A
“esquerda manjuba” passou várias vezes pelo local, e descobriu a grande falha,
o horrível vacilo; – “Tem uma lajota solta! Meu Bonje! Quanto descaso com a
sofrida população.”
         A
“sofrida população” tem outra preocupação; quer um emprego municipal, e de
preferência sem concurso. Talvez com a indicação de um vereador amigo, as
coisas caminhem melhor; sem preparo para o cargo almejado, depois é só fazer
cara de nuvem, e medir de cima a baixo o ex-colega ainda desempregado.
         Direita
e esquerda se digladiam, se ofendem, mandam recadinhos marotos, e depois juntos
e misturados se abraçam, nos confundem. O preço da paz foi um cargo
comissionado, e o inimigo de ontem era na verdade um amiguinho de infância,
mesmo que ele tenha nascido e vivido a cinco mil quilômetros de distância do
antigo desafeto.
         Assim
caminha a nossa esquerda e a nossa direita; quando convém, abraçadinhas e
trocando juras de amor eterno. Coitado de quem compra briga de políticos; será
esquecido no primeiro conchavo e posto para escanteio. Quem se ferra é a
manjuba, peixe pequeno e fácil de pescar. Tainha e robalo mudam de águas, vão
longe e voltam. A manjuba não tem como escapar; caiu na rede! Já era.
         A
conclusão é que não existe “esquerda” e “direita”, existem interesses e nada
mais. Que saudade daquele pessoal tão simpático, sorridente e cheios de boas
intenções, que nos cumprimentavam e pediam um voto para a sua ilustre pessoa;
sumiram? Desapareceram? Relaxe! Daqui há três anos eles voltam, e todos eles
vão lembrar de você.
         O
mar não é um bom local para peixe pequeno, não se engane; manjuba, tainha e
robalo viram comida de tubarão, e “direita” e “esquerda” acabam no mesmo barco;
meu Bonje!
Gastão Ferreira/2017

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