Um sarau no céu
Estamos
no início do século XXII, ano de 2118… Não! A história não se passa em
Iguape, se bem que só iguapenses fazem parte do evento, o causo ocorreu no céu;
estava São Pedro, como sempre na dúvida: “- Mando mais chuva para Iguape, ou
não? Vou consultar o Bonje, e já volto.”
no início do século XXII, ano de 2118… Não! A história não se passa em
Iguape, se bem que só iguapenses fazem parte do evento, o causo ocorreu no céu;
estava São Pedro, como sempre na dúvida: “- Mando mais chuva para Iguape, ou
não? Vou consultar o Bonje, e já volto.”
–
“Peter, não entendo o porquê de tanta preocupação com essa pequena cidade? A
Princesa sempre se saiu bem de todas as crises, e olha que a mocinha fará 580
anos em breve”, disse o mestre.
“Peter, não entendo o porquê de tanta preocupação com essa pequena cidade? A
Princesa sempre se saiu bem de todas as crises, e olha que a mocinha fará 580
anos em breve”, disse o mestre.
–
“Na verdade, Senhor, exagerei nas chuvas, ventos, raios e trovões, e o pessoal
da cidade está a culpar o prefeito…”
“Na verdade, Senhor, exagerei nas chuvas, ventos, raios e trovões, e o pessoal
da cidade está a culpar o prefeito…”
–
“Qual o problema? Sempre foi assim. Na minha humilde opinião, o que falta é o
povo ter um pouco mais de educação e amor pelo torrão natal; reclamar faz parte
da alma caiçara…”
“Qual o problema? Sempre foi assim. Na minha humilde opinião, o que falta é o
povo ter um pouco mais de educação e amor pelo torrão natal; reclamar faz parte
da alma caiçara…”
–
“Falou tudo, chefe! O pessoal de lá é muito folgado. Só pensam em festas,
foguetes, festivais de Verão, bingos, quermesses, fins de noite na praça, muita
praia, muita cerveja, sem esquecer do melhor carnaval do Vale…”
“Falou tudo, chefe! O pessoal de lá é muito folgado. Só pensam em festas,
foguetes, festivais de Verão, bingos, quermesses, fins de noite na praça, muita
praia, muita cerveja, sem esquecer do melhor carnaval do Vale…”
–
“Não podemos esquecer que eles são do mundo, Pedro! E o mundo, é a casa do
capeta…”
“Não podemos esquecer que eles são do mundo, Pedro! E o mundo, é a casa do
capeta…”
–
“Amarra ele, Jesus!”
“Amarra ele, Jesus!”
–
“Calma, Pedrão! É só uma figura de linguagem… Vou pensar no assunto, e depois
tomarei uma decisão; agora vou participar do milésimo sarau iguapense no Centro
de Eventos Celestes. Vamos juntos?”
“Calma, Pedrão! É só uma figura de linguagem… Vou pensar no assunto, e depois
tomarei uma decisão; agora vou participar do milésimo sarau iguapense no Centro
de Eventos Celestes. Vamos juntos?”
Foi
uma noite memorável, no imenso recinto, toda a multidão de almas que viveram,
trabalharam, riram e sofreram na Princesa do Litoral, em todos os séculos
passados; os grandes compositores, os formadores de sambaquis, os atores, os
artesãos, os dançarinos, os pescadores, os escravos, os índios, os catadores de
latinha, os poetas e os cantadores, os ajudantes de pedreiro, os vendedores
ambulantes, as beatas de olhos brilhantes ao avistarem o Mestre. Todos juntos e
misturados ouvindo “Saudade de Iguape”, depois hinos religiosos belíssimos;
palmas e mais palmas… Silêncio, o coral de anjos emudece a multidão, mais
palmas… E de repente aquele grito famoso, marca registrada de Iguape; – “É o
boi! É o boi! Quem é, quem é? É o boi… É o boi.”
uma noite memorável, no imenso recinto, toda a multidão de almas que viveram,
trabalharam, riram e sofreram na Princesa do Litoral, em todos os séculos
passados; os grandes compositores, os formadores de sambaquis, os atores, os
artesãos, os dançarinos, os pescadores, os escravos, os índios, os catadores de
latinha, os poetas e os cantadores, os ajudantes de pedreiro, os vendedores
ambulantes, as beatas de olhos brilhantes ao avistarem o Mestre. Todos juntos e
misturados ouvindo “Saudade de Iguape”, depois hinos religiosos belíssimos;
palmas e mais palmas… Silêncio, o coral de anjos emudece a multidão, mais
palmas… E de repente aquele grito famoso, marca registrada de Iguape; – “É o
boi! É o boi! Quem é, quem é? É o boi… É o boi.”
Frente
ao bloco, Daniela da Beira do Valo, acompanhada por Dona Cleide Paralá-Paracá, Beato
Salu, Mariano Bananeiro, Moranguinha, Branco, Bilú, Tatu, Guaxica, e uma
multidão de alegres e inocentes almas de foliões que marcaram sua passagem por
Iguape nos últimos 580 anos; Jesus aplaudiu, e comentou: – “Todos eles, meus
amados filhos! Foram humildes, viveram, cuidaram da própria vida, não
maltrataram ninguém, o sal da Terra, Pedro.”
ao bloco, Daniela da Beira do Valo, acompanhada por Dona Cleide Paralá-Paracá, Beato
Salu, Mariano Bananeiro, Moranguinha, Branco, Bilú, Tatu, Guaxica, e uma
multidão de alegres e inocentes almas de foliões que marcaram sua passagem por
Iguape nos últimos 580 anos; Jesus aplaudiu, e comentou: – “Todos eles, meus
amados filhos! Foram humildes, viveram, cuidaram da própria vida, não
maltrataram ninguém, o sal da Terra, Pedro.”
–
“Mestre! Não notei a presença dos grandes críticos, dos pedintes sem tetos, dos
guardadores de carro na praça, de alguns dos políticos famosos que marcaram época,
dos coronéis com nomes de ruas…”
“Mestre! Não notei a presença dos grandes críticos, dos pedintes sem tetos, dos
guardadores de carro na praça, de alguns dos políticos famosos que marcaram época,
dos coronéis com nomes de ruas…”
–
“Pedro! Esqueceu que estamos no Céu. Nossos queridos irmãos foram à outro
sarau…”
“Pedro! Esqueceu que estamos no Céu. Nossos queridos irmãos foram à outro
sarau…”
–
“Onde, mestre? Onde?”
“Onde, mestre? Onde?”
–
“No lugar aonde vivem, na casa do capeta.”
“No lugar aonde vivem, na casa do capeta.”
–
“Meu Bonje! Amarra ele, Jesus.”
“Meu Bonje! Amarra ele, Jesus.”
Gastão Ferreira/2018
Observação; Na verdade este texto é para
lembrar de algumas pessoas que marcaram com sua alegria, simplicidade, ousadia
de viver livremente, a nossa cidade; alegrando a nossa vidinha. Elas foram o
sal de nossa terra, e não serão esquecidas. Faltaram dezenas de nomes, mas em
tempo, não os coloquei na história porque as famílias podem achar que é um
desrespeito, em vez de uma homenagem.
lembrar de algumas pessoas que marcaram com sua alegria, simplicidade, ousadia
de viver livremente, a nossa cidade; alegrando a nossa vidinha. Elas foram o
sal de nossa terra, e não serão esquecidas. Faltaram dezenas de nomes, mas em
tempo, não os coloquei na história porque as famílias podem achar que é um
desrespeito, em vez de uma homenagem.
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.