Nossos bairros – I – Barra do
Ribeira

         O
bairro Barra do Ribeira está situado a 20 km do centro de Iguape, com 3.800
residências, sendo 380 casas de moradores fixos e o restante das construções
pertencente à turistas, chamados de flutuantes; possui cinco quiosques na orla
da praia, dez bares, quatro restaurantes, uma choperia, vinte e duas pousadas,
uma pizzaria, duas adegas, quatro lojas, dois supermercados, duas mercearias,
uma farmácia, uma barbearia, um salão de beleza. Aos sábados uma feirinha de
produtos rurais, um posto de salva-vidas com dois funcionários, uma ONG “Jovens
da Juréia”, um cemitério, um centro espírita Kardecista, três igrejas
evangélicas, uma igreja católica, um posto de saúde “médicos da família”, um
veterinário, cento e vinte pescadores profissionais.
         A
Barra do Ribeiro possui duas escolas municipais, a Escola Sebastiana Muniz
Paiva e Escola Abigail Fortes, sendo que Dona Sebastiana foi a primeira
professora a dar aulas no bairro e Dona Abigail a segunda mestra a se deslocar
de Iguape e passar a semana lecionando em período integral na vila.
         Quando
entra o defeso (período em que a pesca é proibida) os pescadores passam a
trabalhar na construção civil, e suas esposas cuidam da segurança das casas dos
moradores flutuantes até o início da nova temporada de veraneio ou reinicio da
pesca.
         Basicamente
o bairro Barra do Ribeira sobrevive da pesca, na alta temporada continua a
viver graças aos veranistas que possuem residência nas cercanias e das
excursões nos finais de semana. Não consta que o bairro produza algo para
comercio fora da área urbana.
         Existem
sete horários de ônibus, e dezenas de táxis ligando a Barra a Iguape. Até
meados do século passado a Barra era totalmente isolada, inexistiam estradas;
os poucos moradores vinham de canoa a vela até o bairro de Icapara, onde faziam
suas compras básicas. Alguns seguiam por uma trilha na mata para Iguape e
outros transitavam em barcos de aluguel. Também era possível chegar a Iguape de
lancha, navegando pelo Rio Ribeira e descendo no porto da Sorocabana, que
ficava em frente onde é hoje o Departamento de Cultura do município, neste
tempo não existia a barragem; por esta época era grande a fabricação de farinha
de mandioca na Barra do Ribeira. A primeira estrada, via bairro do Mathias, a
ligar o bairro a cidade foi aberta graças a Maurício Varella.
         Nos
anos cinquenta do século passado, pouquíssimas pessoas moravam na Barra do
Ribeira, menos de vinte casas no núcleo urbano da vila. Os moradores usam suas
próprias canoas para atravessarem a foz do Rio Ribeira, depois, duas bateiras
com pagamento de passagem faziam a travessia. Com o aumento populacional do
bairro, duas balsas pequenas que transportavam quatro carros no máximo, deram
início ao moderno cruzamento do rio, que hoje é servido pela Dersa e suas
balsas.
         O
bairro Barra do Ribeira situa-se entre o mar e dois rios; a foz do rio Suamirim
e a foz do Rio Ribeira. O bairro se estende até as montanhas da Jureia. Terra
de pescadores artesanais, terra caiçara onde sobrevivem o cerco, o covo, o
espinhel, a rede de corrico, o arrastão. Águas de muitas tainhas, robalos,
manjubas, camarão e siris; fim de tarde, os pescadores se reúnem na bela margem
do Suamirim para consertar suas redes e reparar os equipamentos de pesca, é a
hora dos causos, das muitas histórias, dos risos. A paisagem encanta os
turistas, imensas praias desertas, paraíso dos pescadores de final de semana.
Ar puro, gente humilde e que gosta de uma boa prosa. De Iguape à Barra do
Ribeira são vinte quilômetros de estradas asfaltadas, bem sinalizadas, com
vários barzinhos ao longo do caminho, paisagens deslumbrantes, montanhas,
pássaros e animais silvestres encantam os visitantes… Venha conhecer a
Jureia, ou melhor, a Barra.
Gastão Ferreira/2016
            
           
          

Deixe um comentario

Livro em Destaque

Categorias de Livros

Newsletter

Certifique-se de não perder nada!