Título de Eleitor
O
cão Teotônio, cachorro da casa do Seu Breno Guaxinim, contou que o Seu Agenor,
candidato a candidato à um futuro cargo representativo, foi até a morada da
família para convencer Totonho Manhê à tirar o título de eleitor.
cão Teotônio, cachorro da casa do Seu Breno Guaxinim, contou que o Seu Agenor,
candidato a candidato à um futuro cargo representativo, foi até a morada da
família para convencer Totonho Manhê à tirar o título de eleitor.
Antônio
Carlos era um garoto serelepe, foi catar jabuticabas e caiu da árvore, bateu
com a cabeça e ficou meio abobado. Uma pena! Ele é muito inteligente, se bem
que tem hora que fica completamente maluco.
Carlos era um garoto serelepe, foi catar jabuticabas e caiu da árvore, bateu
com a cabeça e ficou meio abobado. Uma pena! Ele é muito inteligente, se bem
que tem hora que fica completamente maluco.
Dona
Catita tentava convencer o rapaz das vantagens de se possuir um título de
eleitor: – “Filho! Está na hora de você exercer a cidadania, hora de votar…”
Catita tentava convencer o rapaz das vantagens de se possuir um título de
eleitor: – “Filho! Está na hora de você exercer a cidadania, hora de votar…”
–
“Eu não quero votar, eu não quero.”, dizia Totonho.
“Eu não quero votar, eu não quero.”, dizia Totonho.
–
“Seminino! Votar é muito importante.”, informou Dona Catita.
“Seminino! Votar é muito importante.”, informou Dona Catita.
–
“Por que, manhê?”
“Por que, manhê?”
–
“Porque você poderá escolher o melhor candidato para mandar nas coisas da
cidade.”
“Porque você poderá escolher o melhor candidato para mandar nas coisas da
cidade.”
–
“Mas, por que mandar na cidade, manhê?”
“Mas, por que mandar na cidade, manhê?”
–
“A cidade precisa de ruas limpas, seguras, escolas em bom estado de
conservação, médicos e bom atendimento…”
“A cidade precisa de ruas limpas, seguras, escolas em bom estado de
conservação, médicos e bom atendimento…”
–
“E tem, manhê?”
“E tem, manhê?”
–
“Não sei, filho! A nossa estradinha vicinal anda meio aíva.”
“Não sei, filho! A nossa estradinha vicinal anda meio aíva.”
–
“Então votar não resolve muita coisa, manhê…”
“Então votar não resolve muita coisa, manhê…”
–
“Resolve sim! Só precisamos adivinhar quem é a pessoa certa para o lugar
certo.”
“Resolve sim! Só precisamos adivinhar quem é a pessoa certa para o lugar
certo.”
–
“Tipo assim…. Seu Agenor?”
“Tipo assim…. Seu Agenor?”
–
“Isto! Seu Agenor, homem bom e honesto, nosso vizinho e candidato, por pura
bondade se prontificou a nos levar no seu carro até o Cartório Eleitoral, e por
isto votaremos nele.”
“Isto! Seu Agenor, homem bom e honesto, nosso vizinho e candidato, por pura
bondade se prontificou a nos levar no seu carro até o Cartório Eleitoral, e por
isto votaremos nele.”
–
“Manhê! Seu Agenor grilou um monte de terras…”
“Manhê! Seu Agenor grilou um monte de terras…”
–
“Foi um mau passo, filho! Ele é honesto…”
“Foi um mau passo, filho! Ele é honesto…”
–
“Oba! Vou roubar terrenos dos outros. Também quero ser honesto.”
“Oba! Vou roubar terrenos dos outros. Também quero ser honesto.”
–
“Não confunda a minha cabeça, guri! Seu Agenor vai nos levar de graça à cidade
e conta com nosso futuro voto…”
“Não confunda a minha cabeça, guri! Seu Agenor vai nos levar de graça à cidade
e conta com nosso futuro voto…”
–
“Então não é de graça, manhê!”
“Então não é de graça, manhê!”
–
“Pare de me confundir! Vamos todos para a cidade agora mesmo…”
“Pare de me confundir! Vamos todos para a cidade agora mesmo…”
–
“Eu não vou, manhê!”
“Eu não vou, manhê!”
–
“Seu Agenor vai pagar um guaraná e um lanche para você.”
“Seu Agenor vai pagar um guaraná e um lanche para você.”
–
“Ele quer comprar o meu voto com um lanche, manhê?”
“Ele quer comprar o meu voto com um lanche, manhê?”
–
“Não, meu filho! Ele não quer comprar o teu voto.”
“Não, meu filho! Ele não quer comprar o teu voto.”
–
“Então por que quer me pagar um refrigerante, manhê?”
“Então por que quer me pagar um refrigerante, manhê?”
–
“Porque ele é um homem muito bom…”
“Porque ele é um homem muito bom…”
–
“Mas no ano passado ele se negou a levar o neto do Seu Bentinho Xarope ao
hospital, dizendo que o carro dele não era ambulância… Não foi, manhê?”
“Mas no ano passado ele se negou a levar o neto do Seu Bentinho Xarope ao
hospital, dizendo que o carro dele não era ambulância… Não foi, manhê?”
–
“Uma coisa não tem nada à ver com a outra. Ano passado é ano passado e hoje é
hoje…”
“Uma coisa não tem nada à ver com a outra. Ano passado é ano passado e hoje é
hoje…”
–
“Ano passado ele não era candidato! Não é, manhê?”
“Ano passado ele não era candidato! Não é, manhê?”
–
“Filho! Seu Agenor dará cinquenta Reais à seu pai a cada voto da família…”
“Filho! Seu Agenor dará cinquenta Reais à seu pai a cada voto da família…”
–
“Papai vai vender os votos que não são dele? Mas voto não é secreto, manhê?”
“Papai vai vender os votos que não são dele? Mas voto não é secreto, manhê?”
–
“Coisas da política, meu filho!”
“Coisas da política, meu filho!”
–
“Manhê! Se eu vender o meu voto, depois não posso reclamar de nada errado.”
“Manhê! Se eu vender o meu voto, depois não posso reclamar de nada errado.”
–
“É verdade…”
“É verdade…”
–
“Melhor não vender o voto, manhê… Nossa estradinha está em péssimas condições
desde sempre e desde sempre papai vendeu o voto dele….”
“Melhor não vender o voto, manhê… Nossa estradinha está em péssimas condições
desde sempre e desde sempre papai vendeu o voto dele….”
–
“Meu Bonje! Você tem razão. Também não vou tirar o meu título novo…”
“Meu Bonje! Você tem razão. Também não vou tirar o meu título novo…”
–
“Vai sim, manhê! Só que na hora de votar, escolha um candidato honesto e
comprometido com melhorias…”
“Vai sim, manhê! Só que na hora de votar, escolha um candidato honesto e
comprometido com melhorias…”
–
“Não entendi…”
“Não entendi…”
–
“Não vote em quem faz da política uma profissão, este nunca vai resolver
problema algum…”
“Não vote em quem faz da política uma profissão, este nunca vai resolver
problema algum…”
–
“Por que, filho?”
“Por que, filho?”
–
“Se os políticos profissionais resolvessem todos os problemas ficam sem
discursos e o povo vai parar de beijar suas mãos…”
“Se os políticos profissionais resolvessem todos os problemas ficam sem
discursos e o povo vai parar de beijar suas mãos…”
–
“Filho! De louco você não tem nada…”
“Filho! De louco você não tem nada…”
–
“Eu leio jornais sérios, manhê. Presto muita atenção na conversa dos mais
velhos e tiro minhas conclusões…”
“Eu leio jornais sérios, manhê. Presto muita atenção na conversa dos mais
velhos e tiro minhas conclusões…”
–
“É isto aí! Vou renovar o meu título, não quero o dinheiro do Seu Agenor e bem
antes do dia da eleição vou analisar com muito cuidado candidato por candidato
e votarei no mais capaz…”
“É isto aí! Vou renovar o meu título, não quero o dinheiro do Seu Agenor e bem
antes do dia da eleição vou analisar com muito cuidado candidato por candidato
e votarei no mais capaz…”
–
“Que bom, manhê! Então eu também vou junto para tirar o meu título, a única
arma que temos para melhorar a cidade.”
“Que bom, manhê! Então eu também vou junto para tirar o meu título, a única
arma que temos para melhorar a cidade.”
O
cão Teotônio contou que o único que aceitou o lanche pago por Seu Agenor foi o
Seu Breno Guaxinim. Dona Catita pagou o próprio lanche e o do filho. Seu Agenor
comentou com um amigo que Totonho Manhê é completamente biruta… Seu Agenor
não sabe de nada, mas perdeu dois votos.
cão Teotônio contou que o único que aceitou o lanche pago por Seu Agenor foi o
Seu Breno Guaxinim. Dona Catita pagou o próprio lanche e o do filho. Seu Agenor
comentou com um amigo que Totonho Manhê é completamente biruta… Seu Agenor
não sabe de nada, mas perdeu dois votos.
Omisso, um cão feliz.
Gastão Ferreira/2016
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.