Reserva ambiental

         A notícia correu feito fofoca em cidade
pequena; Dona Garça espalhou no manguezal, um Lobo Guará levou mais longe, uma
coruja despertou seus filhotes só para contar a novidade, até os urubus ficaram
assanhados. As gaivotas, os socós, os trinta réis, sabiás, sanhaços, os
gaviões, as saíras e bem-te-vis vibraram com a inovação. Um beija-flor
atravessou o lagamar e sussurrou aos bugios o que estava acontecendo em Ilha
Comprida.
         Os turistas ficaram encantados; bandos
de quatis, raposas, tatetos, tamanduás, onça pintada, tatus, porco espinho,
gambás, paquinhas e cobras atravessavam a ponte que liga Iguape à Ilha; algo
maravilhoso estava acontecendo, que será?
         Do alto do Morro do Espia, o Cristo
Redentor observava pelo canto dos olhos; não podia descuidar da Princesa, mas
algo inusitado ocorria. Não era normal tanta movimentação no reino animal. Não
podia ver diretamente, parecia que os Guarás estavam em festa, milhares de
pássaros vermelhos dançavam no ar; – “Meu Bonje! Qual é o motivo de tanta
algazarra?”
         Um tucano e seus filhotes curiosos
prestavam atenção na conversa entre dois papagaios da cara-roxa; – “Graças a
Tupã nossas preces foram ouvidas!”
         – Não era sem tempo! Demorou….
         – O bicho homem resolveu acordar!
         – Nem me diga! Bicho danado o
sapiens…. 
         – Agora sim, podemos dizer que vivemos
no paraíso….
         – Meu medo é que algum turista
desatento não se conforme com a novidade….
         – Acho que todos concordarão! Turista
busca sossego, paz, tranquilidade….
         – Sempre tem alguns nóias entre eles,
espero que as autoridades ajam rápido e sem moleza….
         Um jacaré prestava atenção na conversa
dos dois louros, estava boiando nos dois sentidos, na água do Candapuí e no
diálogo dos papagaios; – “Oi amigos! Vocês dois, aí na árvore. O que está
rolando? Sou meio surdo e não estou entendendo nada da conversa de vocês dois…”
         – Oi Jaca! Você não notou nada de
diferente?
         – Eu não! O que foi?
         – A Rodoviária foi reinaugurada…
         – Tô sabendo! E daí?
         – Caramba! Este cara é um sem noção….
         – Diga logo o que aconteceu! Algum
acidente?
         – Que nada!
         – Atropelaram um cachorro e jogaram no
acostamento?
         – Errou feio….
         – Por Tupã! Por favor, por favor! O que
aconteceu?
         – Acabaram com os foguetes…. Não
soltaram rojões na inauguração.
         – Iemanjá ouviu minhas preces! Meus
filhos não nascerão surdos iguais a mim… Que felicidade!
         – Os ovos não vão mais gorar nos
ninhais, os animais não necessitam de se enfurnar nas tocas, os pássaros, sem
estresse, poderão voar sem medo… Que alegria!
         Os filhotes perguntaram ao pai tucano
qual era o motivo de tanta muvuca entre os bichos; – “Pela primeira vez em
muitos e muitos anos, o homem tomou consciência que foguetes e rojões são uma
calamidade para a fauna; vivemos numa reserva ambiental, e o certo é preservar
todos os animais. É no silêncio que ouvimos o cantar dos pássaros. É no sossego
que sentimos a brisa vinda do mar. É na paz que nos ligamos ao criador…  Agora sim, vamos viver e aproveitar as belezas
de Marataiama; – “Obrigado pai Tupã! Obrigado Prefeito Décio Ventura. Que o
exemplo de Ilha Comprida se espalhe por toda a região.”
         – Amém, disseram os tucaninhos… O sol
brilhou, o mar beijou a areia, os pássaros cantaram e Deus sorriu; – “Ah estes
meus filhos! Todos meus filhos…. O respeito pela natureza é algo fundamental.”
Gastão Ferreira/2016                                               

Deixe um comentario

Livro em Destaque

Categorias de Livros

Newsletter

Certifique-se de não perder nada!