Pouca fama

         Seu
Timbu andava um tanto irritado, conhecia o jovem Tibério desde o berço. O
menino deu agora para desconhecer os mais velhos; caminhava pelas calçadas com
o nariz empinado, cheio de caras e bocas, olhar de nuvem passageira, parecia
alguém que achou um pote de ouro no fim do arco-íris.
         Tibério
Mequetrefe, filho de Dito Zoinho e de Marya Eleonora Priscila da Silva
Alvarenga, Dona Pripri para os mais conhecidos, realmente estava esnobando os
súditos da Princesa e os vassalos de Sua Majestade não deixam passar em branco
os desaforos dos poderosos da vez.  
         Foi
muito azar, Seu Timbu encontrou Dona Pripri na feira de quinta-feira, e foi
logo dando nome aos bois:
        
“ Olha aqui Maria Pripri! Que negócio é este de Mequetrefe ficar virando a cara
para o povo?”
        
“Seu Timbu, por favor, mais respeito com o Tiberinho! Ele agora é uma
autoridade…”
        
“Que autoridade, Maria Pripri?”
        
“Por favor, nada de barraco! E não me chame de Maria Pripri. Eu sou Marya com
ípsilon, seu gagá!”
        
“Cacete! Mas o que acontece nesta cidade? Qualquer bostinha que se pendura num
cargo se acha a última oncinha da Mata Atlântica…”
        
“Tiberinho ocupar um cargo muito importante! É o décimo oitavo sub-assessor do
grande assessor e se todos eles morrerem ou magoarem a autoridade máxima,
Tiberinho será um dia o grande assessor…”
        
“Parece que comeu baiacu, Maria Pripri! Tá ficando lelé da cuca? Esqueceu do
filho daquele nosso velho amigo Zé? O tiozinho era um amor de pessoa, assumiu
um cargo e passou a ter um rei na barriga. Nem os amigos cumprimentava, só
atendia quem beijasse sua mão e respondia com o maior pouco caso…”
        
“É verdade! Mas ele perdeu o cargo e agora anda pela rua feito um fantasma,
porém não perdeu a pose…”
        
“Este filme é antigo, Maria Pripri! Estes cargos são passageiros e o povo não
esquece o desdém, a arrogância e a falta de humildade de quem os ocupam…”
        
“Vou levar uma conversa séria com Tiberinho…”
        
“Não vá exagerar! Ele está na fase da pouca fama.”
        
“O que é esta fase, Seu Timbu?”
        
“Ele está curtindo os quinze minutos de fama que a vida concedeu… Achando que
importante é passar por cima dos outros, aparentar poder, mostrar quem manda…
Qualquer dia cai do cavalo e volta à ser o Mequetrefe de sempre, só que sem
amigos…”
        
“Meu Bonje! Vou acabar com esta pouca fama é já, e também tirar da cabeça dele
esta história de querer se candidatar a vereador…”
        
“Nossa! A coisa está pior do que eu pensava. Todos começam assim…. Meu Bonje!
Como a fama embriaga…”
Gastão Ferreira/2016  

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