Sábado, o mascate
Sábado Francisco Rangel, nasceu na Barra do Itatins,
município de Iguape, lá para os lados da Juréia, em 13 de março de 1939. Nunca
frequentou uma escola, alfabetizado pelo pai, pequeno sitiante, foi vizinho e
companheiro de infância do famoso curandeiro Seu Sátiro da Cachoeira do
Guilherme; juntos armaram mundéus, tomaram banho de rio, e fizeram muitos
balanços, tipo Tarzan, nas árvores ribeirinhas.
município de Iguape, lá para os lados da Juréia, em 13 de março de 1939. Nunca
frequentou uma escola, alfabetizado pelo pai, pequeno sitiante, foi vizinho e
companheiro de infância do famoso curandeiro Seu Sátiro da Cachoeira do
Guilherme; juntos armaram mundéus, tomaram banho de rio, e fizeram muitos
balanços, tipo Tarzan, nas árvores ribeirinhas.
O
menino Sábado trabalha desde criança, ajudava o pai na plantação de arroz,
feijão, milho, aipim. Nas horas vagas gostava de passarinhar, com seu bodoque
certeiro abatia sabiá, tucano, jacu, macuco. Com a garrucha caçava raposa,
quati, tatu, capivara, paca e muitos outros animais silvestres da Mata
Atlântica, outros tempos, outros costumes.
menino Sábado trabalha desde criança, ajudava o pai na plantação de arroz,
feijão, milho, aipim. Nas horas vagas gostava de passarinhar, com seu bodoque
certeiro abatia sabiá, tucano, jacu, macuco. Com a garrucha caçava raposa,
quati, tatu, capivara, paca e muitos outros animais silvestres da Mata
Atlântica, outros tempos, outros costumes.
Mocinho,
criado no meio da mata, aos 16 anos veio pela primeira vez à cidade grande,
ficou encantado com a luz elétrica, carros, bicicletas, tudo novidade para ele;
chegou até mesmo a dançar no Primavera e no Supimpa durante a Festa de Agosto
do ano de 1955. Lembra que havia dois cinemas na cidade, um de cada lado da
Praça da Matriz, uma quantidade enorme de barcos de passeio trazendo romeiros,
e muitos cavalos. Nos bailes da cidade sentiu a falta das violas caiçaras e da
dança “froncora”, que se dançava batendo o pé, coisa de sitiantes.
criado no meio da mata, aos 16 anos veio pela primeira vez à cidade grande,
ficou encantado com a luz elétrica, carros, bicicletas, tudo novidade para ele;
chegou até mesmo a dançar no Primavera e no Supimpa durante a Festa de Agosto
do ano de 1955. Lembra que havia dois cinemas na cidade, um de cada lado da
Praça da Matriz, uma quantidade enorme de barcos de passeio trazendo romeiros,
e muitos cavalos. Nos bailes da cidade sentiu a falta das violas caiçaras e da
dança “froncora”, que se dançava batendo o pé, coisa de sitiantes.
Moço
sonhador e empreendedor, em 1967, aos 28 anos de idade ele comprou uma bateira,
uma espécie de canoa comprida, e partiu para a venda de secos & molhados
aos ribeirinhos do município; arroz, feijão, leite, cerveja, pinga, vermute,
fogo paulista, conhaque, carne-seca, banha de porco, roupas e calçados, e foi assim
que entre o Rio Peropava, Rio das Pedras, Rio Comprido, Rio de Uma, Rio
Suamirim, Rio Ribeira que Sábado, o mascate viveu entre os anos de 1967 a 1981.
sonhador e empreendedor, em 1967, aos 28 anos de idade ele comprou uma bateira,
uma espécie de canoa comprida, e partiu para a venda de secos & molhados
aos ribeirinhos do município; arroz, feijão, leite, cerveja, pinga, vermute,
fogo paulista, conhaque, carne-seca, banha de porco, roupas e calçados, e foi assim
que entre o Rio Peropava, Rio das Pedras, Rio Comprido, Rio de Uma, Rio
Suamirim, Rio Ribeira que Sábado, o mascate viveu entre os anos de 1967 a 1981.
Por
esse tempo, segunda metade século XX, nossa zona rural era muito farta, tanto
em hortifrútis como na criação de suínos, aves, além do arroz e da mandioca
para farinha, a bananicultura e a pesca. Na cidade as fábricas de palmito,
lápis, esteiras, manjubas em conserva, a Única, davam muitos empregos, e o
dinheiro aparecia com fartura.
esse tempo, segunda metade século XX, nossa zona rural era muito farta, tanto
em hortifrútis como na criação de suínos, aves, além do arroz e da mandioca
para farinha, a bananicultura e a pesca. Na cidade as fábricas de palmito,
lápis, esteiras, manjubas em conserva, a Única, davam muitos empregos, e o
dinheiro aparecia com fartura.
Sábado
casou três vezes, viúvo, Dona Maria a última esposa está com ele há quase
quarenta anos; dois filhos, cinco netos, vida de aposentado, mas ainda
atendendo no seu barzinho no bairro do Rocio para onde se mudou em 1985. Morou
desde 1979 em Ilha Comprida, balneário Marusca, mas conhecia a Ilha desde 1962,
época em que no Centro da Ilha só existiam duas casas, a do DER e o restaurante
da Angelita.
casou três vezes, viúvo, Dona Maria a última esposa está com ele há quase
quarenta anos; dois filhos, cinco netos, vida de aposentado, mas ainda
atendendo no seu barzinho no bairro do Rocio para onde se mudou em 1985. Morou
desde 1979 em Ilha Comprida, balneário Marusca, mas conhecia a Ilha desde 1962,
época em que no Centro da Ilha só existiam duas casas, a do DER e o restaurante
da Angelita.
Nosso
primeiro mascate aquático? Provavelmente. Seu Sábado lembra com saudade daquele
tempo; ele jovem navegando por todos os rios de nossa região, em época de
mutuca, um sufoco, e os pernilongos nem tanto, pois com o tempo a gente
acostuma. Diz ele que nunca levou um pitoco do pessoal do sítio, coisa rara de
acontecer.
primeiro mascate aquático? Provavelmente. Seu Sábado lembra com saudade daquele
tempo; ele jovem navegando por todos os rios de nossa região, em época de
mutuca, um sufoco, e os pernilongos nem tanto, pois com o tempo a gente
acostuma. Diz ele que nunca levou um pitoco do pessoal do sítio, coisa rara de
acontecer.
Aos
80 anos, Seu Sábado, que deve o seu nome ao industrial paulistano do ramo do
tabaco, Sabbado D’Ângelo. Um nome que seu pai encontrou num maço de cigarro Sudan
e achou lindo. Nosso personagem está completamente lúcido, ótima memória, se
recuperou completamente de um AVC, e tem muita história para nos contar, afinal
quem passou dias e dias sozinho em nossos rios, cercados de mata virgem, onças e
jacarés, tem mesmo muitos causos guardados no baú da memória; vida longa e
muita saúde à Seu Sábado, nosso último mascate aquático.
80 anos, Seu Sábado, que deve o seu nome ao industrial paulistano do ramo do
tabaco, Sabbado D’Ângelo. Um nome que seu pai encontrou num maço de cigarro Sudan
e achou lindo. Nosso personagem está completamente lúcido, ótima memória, se
recuperou completamente de um AVC, e tem muita história para nos contar, afinal
quem passou dias e dias sozinho em nossos rios, cercados de mata virgem, onças e
jacarés, tem mesmo muitos causos guardados no baú da memória; vida longa e
muita saúde à Seu Sábado, nosso último mascate aquático.
Gastão Ferreira/2019
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.