O Livro dos Piratas da
Barra
Barra
Não,
não é aquele livro que está guardado na Torre do Tombo em Portugal, este livro
ao qual me refiro é o Diário de Bordo dos Piratas da Barra; algo muito mais
antigo, na verdade anterior as viagens de Pedro Álvares Cabral, e a famosa
carta de Pero Vaz de Caminha. São relatos que os reis portugueses e espanhóis
ofereceram uma fortuna para quem os destruísse. O Diário conta o que a história
oficial esconde, ou tem vergonha de narrar; eis um exemplo.
não é aquele livro que está guardado na Torre do Tombo em Portugal, este livro
ao qual me refiro é o Diário de Bordo dos Piratas da Barra; algo muito mais
antigo, na verdade anterior as viagens de Pedro Álvares Cabral, e a famosa
carta de Pero Vaz de Caminha. São relatos que os reis portugueses e espanhóis
ofereceram uma fortuna para quem os destruísse. O Diário conta o que a história
oficial esconde, ou tem vergonha de narrar; eis um exemplo.
O
Livro dos Piratas da Barra assim descreve a fundação do bairro de Icapára; uma
nau mercante vinda da Europa, à caminho do Rio del Plata, com uma grande carga
de miçangas, espelhos, facas e machados, quinquilharias para trocar por ouro,
esmeralda, rubis, ágatas e diamantes com os indígenas, após uma refeição com
alimentos deteriorados, teve de fazer uma parada forçada; caganeira geral,
cólicas e dor de cabeça, a caravela estava empesteada com tanto fedor, e o
comandante colocou sua amasia russa Ika Malacova e algumas amigas num bote,
para que fizessem suas necessidades fisiológicas bem longe da tripulação.
Livro dos Piratas da Barra assim descreve a fundação do bairro de Icapára; uma
nau mercante vinda da Europa, à caminho do Rio del Plata, com uma grande carga
de miçangas, espelhos, facas e machados, quinquilharias para trocar por ouro,
esmeralda, rubis, ágatas e diamantes com os indígenas, após uma refeição com
alimentos deteriorados, teve de fazer uma parada forçada; caganeira geral,
cólicas e dor de cabeça, a caravela estava empesteada com tanto fedor, e o
comandante colocou sua amasia russa Ika Malacova e algumas amigas num bote,
para que fizessem suas necessidades fisiológicas bem longe da tripulação.
As
mulheres, apavoradas e cagadas, remavam o bote, e o capitão da caravela, ao
notar que elas passaram do local seguro para atracar começou a berrar; – “Ika,
para! Ika, para!”, e foi assim que o aprazível recanto, segundo o Livro dos
Piratas da Barra, ficou mundialmente conhecido por Icapára.
mulheres, apavoradas e cagadas, remavam o bote, e o capitão da caravela, ao
notar que elas passaram do local seguro para atracar começou a berrar; – “Ika,
para! Ika, para!”, e foi assim que o aprazível recanto, segundo o Livro dos
Piratas da Barra, ficou mundialmente conhecido por Icapára.
Já
os portugueses, bem mais civilizados e finos do que aquele bando de piratas sem
nenhuma educação, relatam que a cunhã Juréia, filha do pajé Peruíbe e da bela
Maratayama, contou a seguinte história; Pará Tinga era um guerreiro valente, e
foi ele quem salvou a linda Ycá Porã das garras do Índio do Rio. O tal Índio do
Rio, era um ser encantado que raptava as donzelas que peladas tomavam banho na
margem dos rios, mas só raptava as peladonas; Ycá Porã usava uma cinta feita de
embira, e sem querer tirou a cinta para dar um mergulho no rio Suamirim, e foi
o que bastou para o terrível Índio do Rio aparecer, e raptar a moça. Graças a
Tupã que o destemido Pará Tinga apareceu e salvou a rapariga; se apaixonaram na
hora, olho no olho e a donzela toda envergonhada, pois estava sem o cinto de
embira, coisa de silvícola!
os portugueses, bem mais civilizados e finos do que aquele bando de piratas sem
nenhuma educação, relatam que a cunhã Juréia, filha do pajé Peruíbe e da bela
Maratayama, contou a seguinte história; Pará Tinga era um guerreiro valente, e
foi ele quem salvou a linda Ycá Porã das garras do Índio do Rio. O tal Índio do
Rio, era um ser encantado que raptava as donzelas que peladas tomavam banho na
margem dos rios, mas só raptava as peladonas; Ycá Porã usava uma cinta feita de
embira, e sem querer tirou a cinta para dar um mergulho no rio Suamirim, e foi
o que bastou para o terrível Índio do Rio aparecer, e raptar a moça. Graças a
Tupã que o destemido Pará Tinga apareceu e salvou a rapariga; se apaixonaram na
hora, olho no olho e a donzela toda envergonhada, pois estava sem o cinto de
embira, coisa de silvícola!
Na
verdade nada foi fácil, pois vinha gente de toda a Pindorama para ouvir o relato
de como Ycá foi raptada; todos queriam saber tudo nos mínimos detalhes. Os
ferozes guerreiros de muitas tribos também vinham saber de Pará Tinga, qual o
método adotado para vencer o tinhoso do Índio do Rio. Aquela gentalha toda,
comendo e bebendo de graça estava abusando da hospitalidade, e Pará Tinga e Ycá
Porã foram gentilmente convidados à se mudarem para longe da tribo.
verdade nada foi fácil, pois vinha gente de toda a Pindorama para ouvir o relato
de como Ycá foi raptada; todos queriam saber tudo nos mínimos detalhes. Os
ferozes guerreiros de muitas tribos também vinham saber de Pará Tinga, qual o
método adotado para vencer o tinhoso do Índio do Rio. Aquela gentalha toda,
comendo e bebendo de graça estava abusando da hospitalidade, e Pará Tinga e Ycá
Porã foram gentilmente convidados à se mudarem para longe da tribo.
O
local escolhido pelo jovem casal ficava as margens de um braço curvo de rio;
ali entre pés de banana, maracujá, pitanga, goiaba, araticum, ananás, batata
doce e mandioca, eles ergueram a sua oca, a palhoça de Ycá e Pára, e quando
alguém perguntava onde morava o casal, quem sabia apontava para um pequeno
morro e dizia; Ycapára fica ao sopé daquele morro.
local escolhido pelo jovem casal ficava as margens de um braço curvo de rio;
ali entre pés de banana, maracujá, pitanga, goiaba, araticum, ananás, batata
doce e mandioca, eles ergueram a sua oca, a palhoça de Ycá e Pára, e quando
alguém perguntava onde morava o casal, quem sabia apontava para um pequeno
morro e dizia; Ycapára fica ao sopé daquele morro.
Os
historiadores da atualidade estão em dúvida, qual das duas versões adotar;
pessoalmente gostei de Ycá Pará.
historiadores da atualidade estão em dúvida, qual das duas versões adotar;
pessoalmente gostei de Ycá Pará.
Gastão Ferreira/2019
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.