O espelho maldito
Quando
Paulinho trouxe para a cidade grande o espelho de prata que encontrara, jogado
fora na zona rural, coisas estranhas começaram a acontecer; uma figura
misteriosa, envolta num albornoz vagava pela casa ao anoitecer. O rosto da visagem
se mantinha encoberto pela penumbra, mas o magnetismo que emanava dela era
assustador.
Paulinho trouxe para a cidade grande o espelho de prata que encontrara, jogado
fora na zona rural, coisas estranhas começaram a acontecer; uma figura
misteriosa, envolta num albornoz vagava pela casa ao anoitecer. O rosto da visagem
se mantinha encoberto pela penumbra, mas o magnetismo que emanava dela era
assustador.
Paulo
possuía um bom coração, pessoa humilde, lia muito tentando se esclarecer,
ajudava aos mais necessitados, era honesto e trabalhador; a entidade do mal que
controlava o espelho não tinha como atacá-lo; – “Paulo, você é ainda um
aprendiz de vida; saia de casa, vá se divertir, beber, namorar, curtir, se
drogar… A vida é tão breve, aproveite! ”
possuía um bom coração, pessoa humilde, lia muito tentando se esclarecer,
ajudava aos mais necessitados, era honesto e trabalhador; a entidade do mal que
controlava o espelho não tinha como atacá-lo; – “Paulo, você é ainda um
aprendiz de vida; saia de casa, vá se divertir, beber, namorar, curtir, se
drogar… A vida é tão breve, aproveite! ”
–
“De onde me vem estes estranhos pensamentos? Jurei que desta vez eu não
perderia a oportunidade de evoluir, afiancei aos meus superiores que me matéria
fiel ao combinado, e com paciência removeria todos os meus espinhos, aqueles
que carrego comigo a tantas reencarnações e aqueles outros que esparramei pelos
negros caminhos que percorri…”
“De onde me vem estes estranhos pensamentos? Jurei que desta vez eu não
perderia a oportunidade de evoluir, afiancei aos meus superiores que me matéria
fiel ao combinado, e com paciência removeria todos os meus espinhos, aqueles
que carrego comigo a tantas reencarnações e aqueles outros que esparramei pelos
negros caminhos que percorri…”
–
“Eu sou uma das vítimas dos teus espinhos, Paulo! Lembra de mim? ”, disse a voz
em meio a escuridão.
“Eu sou uma das vítimas dos teus espinhos, Paulo! Lembra de mim? ”, disse a voz
em meio a escuridão.
–
“Sim, Francisco! Eu recordo…”
“Sim, Francisco! Eu recordo…”
–
“E não te tortura o fato de teres exterminado tantas pessoas, assassino…
Assassino… Assassino. ”
“E não te tortura o fato de teres exterminado tantas pessoas, assassino…
Assassino… Assassino. ”
–
“É o passado que teima em me visitar, mas eu não moro mais no passado, e os
meus crimes fazem parte daquele tempo sombrio; já perdi o perdão a quem ofendi,
e também me perdoei de tanta vilania. Hoje sou outra pessoa, incapaz de cometer
um crime…”
“É o passado que teima em me visitar, mas eu não moro mais no passado, e os
meus crimes fazem parte daquele tempo sombrio; já perdi o perdão a quem ofendi,
e também me perdoei de tanta vilania. Hoje sou outra pessoa, incapaz de cometer
um crime…”
–
“Bobagem! Não se apaga o passado…. Eu sei! ”
“Bobagem! Não se apaga o passado…. Eu sei! ”
–
“Renascemos esquecidos, o passado ficou para atrás, ele é o adubo para um novo
plantio, uma sombra nos alertando para não cair novamente nos mesmos enganos…”
“Renascemos esquecidos, o passado ficou para atrás, ele é o adubo para um novo
plantio, uma sombra nos alertando para não cair novamente nos mesmos enganos…”
–
“Eu não tenho como esquecer, não tenho como perdoar; os teus antepassados
destruíram tudo o que eu amava, tudo aquilo em que eu acreditava, me condenaram
a escuridão em vida, me cegaram, destruíram a minha família… Não! Não tenho
como perdoar a nenhum de vocês…”
“Eu não tenho como esquecer, não tenho como perdoar; os teus antepassados
destruíram tudo o que eu amava, tudo aquilo em que eu acreditava, me condenaram
a escuridão em vida, me cegaram, destruíram a minha família… Não! Não tenho
como perdoar a nenhum de vocês…”
–
“Estamos nesse planeta há milênios, tente recordar o teu passado remoto, tuas vidas
anteriores aquela em que nos cruzamos, e verás que nada tens de inocente… “
“Estamos nesse planeta há milênios, tente recordar o teu passado remoto, tuas vidas
anteriores aquela em que nos cruzamos, e verás que nada tens de inocente… “
–
“Eu era inocente, disso tenho certeza! ”
“Eu era inocente, disso tenho certeza! ”
–
“Impossível! Estamos num mundo prisão, não existem inocentes neste cárcere
planetário…. Lembra, volte ao passado! Sem medo, sem rancor, volte apenas como
espectador…. Volte…”
“Impossível! Estamos num mundo prisão, não existem inocentes neste cárcere
planetário…. Lembra, volte ao passado! Sem medo, sem rancor, volte apenas como
espectador…. Volte…”
–
“No mundo sombrio encontrei companheiros de infortúnio, eles me ajudaram a me
imantar a este espelho de prata, enquanto não forem exterminados todos aqueles
que me feriram, estarei ligado ao espelho, e você Paulo, é o último inimigo a
desaparecer…”
“No mundo sombrio encontrei companheiros de infortúnio, eles me ajudaram a me
imantar a este espelho de prata, enquanto não forem exterminados todos aqueles
que me feriram, estarei ligado ao espelho, e você Paulo, é o último inimigo a
desaparecer…”
–
“Olhe para mim, Francisco! Você vê maldade em mim? Sei que é possível
conquistar a paz; com muito sacrifício venci algumas das minhas imperfeições, e
peço que reconsideres a ofensiva; me perdoa, e terás paz para prosseguir a tua
jornada, existem amigos que te aguardam numa vida melhor. ”
“Olhe para mim, Francisco! Você vê maldade em mim? Sei que é possível
conquistar a paz; com muito sacrifício venci algumas das minhas imperfeições, e
peço que reconsideres a ofensiva; me perdoa, e terás paz para prosseguir a tua
jornada, existem amigos que te aguardam numa vida melhor. ”
–
“Não tenho amigos…”
“Não tenho amigos…”
–
“Vivemos muitas vidas, todos temos amigos e alguns te estendem a mão nesse
momento…”
“Vivemos muitas vidas, todos temos amigos e alguns te estendem a mão nesse
momento…”
–
“Paulo, eu tenho medo! Me ajuda, eu te perdoo, te perdoo…”
“Paulo, eu tenho medo! Me ajuda, eu te perdoo, te perdoo…”
O
vulto foi desaparecendo e entrou no espelho, retirou o albornoz e Paulo viu o
seu verdadeiro rosto, dos olhos da visagem escoriam lágrimas de
arrependimento…Paulo fez uma prece e quebrou o espelho em mil estilhaços; uma
brisa suave invadiu a casa, levando para longe a maldade e o ódio; era um tempo
de perdão, um tempo de reconciliação, um tempo de evoluir e descortinar novos
horizontes, crescer para o infinito, ser feliz.
vulto foi desaparecendo e entrou no espelho, retirou o albornoz e Paulo viu o
seu verdadeiro rosto, dos olhos da visagem escoriam lágrimas de
arrependimento…Paulo fez uma prece e quebrou o espelho em mil estilhaços; uma
brisa suave invadiu a casa, levando para longe a maldade e o ódio; era um tempo
de perdão, um tempo de reconciliação, um tempo de evoluir e descortinar novos
horizontes, crescer para o infinito, ser feliz.
Gastão Ferreira/2019
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.