Festando no quintal
         No
final de semana fui convidado para um churrasco no quintal do professor Geraldo
Nunes, o nosso estimado mestre Gelulla, conhecido como o mais aguerrido
defensor do honrado ex-presidente Lula, o virtuoso líder político que se diz a
alma viva mais esperta que existe; os comes e bebes eram para festejar a
gravidez da menina Thalulla Jeniffer Nunes, filha mais velha do amado educador.
         Os
companheiros e companheiras foram chegando; alguns trouxeram garrafas de 51,
outros fardos de cerveja Devassa, pão e mortadela, e assim contribuíram para a
alegria geral. As crianças brincavam no fundo do terreno, estavam se divertindo
adoidadas brincando de passeata estudantil, os pais se babavam de orgulho; as
gêmeas Maria Inês e Maria Bethânia, sete anos de idade, pintaram na barriga “o
corpo é meu e faço o que eu quero”, ambas corriam peladas em volta de dois
menininhos que se beijavam. As demais crianças tentavam fazer uma fogueira com
duas bandeiras do Brasil, e muito educadas, pois eram filhas e filhos de
pedagogos de esquerda cantavam; – “Bolsomito é um urubu, tem mais é que tomar
no…”.
         O
pão com mortadela, primeiro aperitivo servido, agradou a todos; música, só de
compositores e cantores premiados com a Lei Rouanet; Chico Buarque, Gilberto Gil,
Maria Bethânia, Anita e Pablo Vittar, e sem esquecer o imortal Geraldo Vandré
com a belíssima “caminhando e cantando, e seguindo a canção.”
         O
dono da casa propôs um brinde aos futuros papais; – “Minha filhota desta vez
acertou na escolha do companheiro, o jovem Alex é o oitavo consorte da moleca.
Com quinze anos já era hora dela sossegar o rabo quente e finalmente um neto
está a caminho. Gostaria que cada um de vocês, meus camaradas e colegas de
profissão, ao brindarem ao casal dissessem qual nome dariam para o anjinho que chegará
em breve,”
        
“Lenin…”, disse o doutor Ezequiel, o civilizado advogado que tenta detonar
com suas postagens no facebook com o dia a dia do atual presidente da
república.  
         – “Gleisi Letícia…”, gritou uma
senhora da pior idade, no que foi muito aplaudida.
        
“Maria do Rosário…”, propôs a professora Alzirinha Verão, os convivas
deliraram.
        
“Benedita da Silva…”, poucos aplausos.
        
“Dilma…”, nenhum aplauso.
        
“Janaína…”, nome de índia não vale! Fora Janaína, rua, vai catar coquinhos,
besta, imbecil, cachorra…
        
“Janja…”, aí meus sais! Linda, linda…
        
“Fernando Haddad…”, muito bom.
        
“Jean Wyllys…”, ferro na boneca! Já ganhou.
        
“Luiz Inácio…”, já ganhou, já ganhou, não tem para mais ninguém, podem parar
com os nomes.
         A
vida nunca é o que a gente quer, sempre tem que aparecer um estraga prazer; a
festa estava tão boa, altos papos, altos esquemas, muito mimimi, mas também
muito uísque rolando no escondidinho, canapés de manjuba para os convidados
mais sofisticados, mortadela à vontade. A nobre fessora Tulipa Tacão, tinha que
estragar tudo; – “Vovô Gellula, que tal perguntar aos futuros papais qual nome
eles preferem, afinal a cria é deles…”
        
“De minha preferência eu ficaria com os imbatíveis Luiz Inácio para um menino e
Marisa Letícia para uma guria, mas quem sou eu para querer dar nome ao filho
dos outros; minha garota, Thalulla Jeniffer foi muito bem educada, participou
de muitas passeatas, deu muito tapa na cara de professoras metidas a educadoras,
quebrou vários moveis nas escolas públicas que frequentou, sempre soube como
organizar uma greve, ela é o meu orgulho; sangue do meu sangue!”
        
“Todos vocês, amigos e companheiros, sabem da minha vida exemplar, e também
sabem que Jeniffer foi expulsa da escola pública, nada grave, estava vendendo
maconha e formando um pé de meia, mas a lei não entendeu assim, e a menina
passou alguns meses na Casa do Adolescente. Saiu pior do que entrou e mandamos
a garota para Curitiba, passar uma temporada na casa de uns parentes caretas,
voltou casada com o jovem Alex, um aprendiz de malandro que acha que ser
honesto é tudo de bom. Pronto! Lavei a roupa suja. E agora eu pergunto ao casal
Alex e Jeniffer, qual o nome do meu neto?”
        
“Se for menino, Sérgio Moro e se for menina Michelle…” disseram ambos, e o
pau comeu… Foi a maior quebradeira, não sobrou nenhuma garrafa de 51 intacta,
Jeniffer e Alex correram para a rua, foram perseguidos, xingados, enxovalhados.
Ainda bem que conseguiram pegar o ônibus diário para Curitiba, espero que nunca
mais apareçam por aqui; sou mais #lulalivre#
Gastão Ferreira/2019
          
        
        

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