Encontro sobre a ponte
A
cidade de Iguape está situada a margem de um lagamar, um imenso mar de dentro
que se estende do Estado de São Paulo, ao Paraná; pequenas e grandes ilhas
fazem parte deste fantástico estuário, que começa exatamente na foz do Rio
Ribeira e vai além da cidade fantasma de Ararapira. A ligação entre Iguape e a
cidade de Ilha Comprida se dá através da Ponte Laércio Ribeiro, e a ilha possui
76 km de extensão por 5 de largura; praias desertas, limpíssimas, águas
piscosas, dunas, sambaquis, papagaios da cara roxa, gaviões, tatus, onças,
guaxinins, gaivotas e muita natureza convidando o turista para compartilhar da
alma caiçara.
cidade de Iguape está situada a margem de um lagamar, um imenso mar de dentro
que se estende do Estado de São Paulo, ao Paraná; pequenas e grandes ilhas
fazem parte deste fantástico estuário, que começa exatamente na foz do Rio
Ribeira e vai além da cidade fantasma de Ararapira. A ligação entre Iguape e a
cidade de Ilha Comprida se dá através da Ponte Laércio Ribeiro, e a ilha possui
76 km de extensão por 5 de largura; praias desertas, limpíssimas, águas
piscosas, dunas, sambaquis, papagaios da cara roxa, gaviões, tatus, onças,
guaxinins, gaivotas e muita natureza convidando o turista para compartilhar da
alma caiçara.
A
alma caiçara é diferente das outras almas, ainda possui um certo encanto vindo
das criaturas das matas, dos assobios de um Saci, do grito do Caipora, da
fascinação de uma Iara, dos sonhos de Tupã, e um pouco da desfaçatez de Anhangá;
o caiçara é um hibrido de floresta e mar, não consegue ser totalmente feliz
longe de suas origens, e suas raízes são profundas, enterradas nas brancas
areias de Maratayama (Ilha Comprida), esparramadas no solo sagrado de Pindorama;
na verdade o caiçara é um sobrevivente dos tempos de dantes.
alma caiçara é diferente das outras almas, ainda possui um certo encanto vindo
das criaturas das matas, dos assobios de um Saci, do grito do Caipora, da
fascinação de uma Iara, dos sonhos de Tupã, e um pouco da desfaçatez de Anhangá;
o caiçara é um hibrido de floresta e mar, não consegue ser totalmente feliz
longe de suas origens, e suas raízes são profundas, enterradas nas brancas
areias de Maratayama (Ilha Comprida), esparramadas no solo sagrado de Pindorama;
na verdade o caiçara é um sobrevivente dos tempos de dantes.
Um
menino caiçara ainda acredita em Boitatá, Mula-sem-cabeça, Procissão dos
Mortos, Navios Fantasmas, Negrinho d’água, Tesouro de piratas, assombrações,
visagens, ouro enterrado…. As histórias da Princesa, apelido carinhoso de
Iguape, são antigas, algumas anteriores ao Descobrimento, muitas lendas vindas
das terras sagradas da Jureia, um dos paraísos tupi-guarani, causos da época da
escravidão, dos engenhos, dos coronéis; nossas lendas urbanas vão além da imaginação
e fazem a festa das criançadas nas mornas tardes de verão, naquela hora em que
as canoas voltam do mar, na hora do reparo das redes, no momento de contar as
façanhas do dia, de recordar os causos antigos, no exato momento de honrar a
memória dos antepassados e nossas tradições.
menino caiçara ainda acredita em Boitatá, Mula-sem-cabeça, Procissão dos
Mortos, Navios Fantasmas, Negrinho d’água, Tesouro de piratas, assombrações,
visagens, ouro enterrado…. As histórias da Princesa, apelido carinhoso de
Iguape, são antigas, algumas anteriores ao Descobrimento, muitas lendas vindas
das terras sagradas da Jureia, um dos paraísos tupi-guarani, causos da época da
escravidão, dos engenhos, dos coronéis; nossas lendas urbanas vão além da imaginação
e fazem a festa das criançadas nas mornas tardes de verão, naquela hora em que
as canoas voltam do mar, na hora do reparo das redes, no momento de contar as
façanhas do dia, de recordar os causos antigos, no exato momento de honrar a
memória dos antepassados e nossas tradições.
Quando
Juca Pangaré, pálido, trêmulo, apavorado, desceu da moto, e cambaleando,
murmurou; – “Um mortinho pegou carona na minha moto”, todos ficaram em silêncio
e não sabiam o que falar. Foi Paulo Mijada quem perguntou; – “Como foi que
aconteceu, Juca? Onde foi? ”
Juca Pangaré, pálido, trêmulo, apavorado, desceu da moto, e cambaleando,
murmurou; – “Um mortinho pegou carona na minha moto”, todos ficaram em silêncio
e não sabiam o que falar. Foi Paulo Mijada quem perguntou; – “Como foi que
aconteceu, Juca? Onde foi? ”
–
Estava voltando da Ilha, agora a noitinha, e naquela curva no início da ponte,
dei uma brecada na moto… Senti que alguém pulou na garupa, mas eu não podia
me virar para ver quem era, pois, aquela parte da ponte é perigosa…. Consegui
parar no meio da ponte, e quem estava na garupa saltou da moto; juro que era o
Dandão, aquele pedinte que se enforcou na amurada da ponte, faz uns cinco
meses. Ele olhou nos meus olhos, com sua cara meia corroída por siris, ainda tinha
no pescoço um pedaço da corda com a qual se matou…. Olhou dentro dos meus
olhos e saltou para o lagamar; nunca mais atravesso a ponte depois das seis da
tarde, nunca mais…
Estava voltando da Ilha, agora a noitinha, e naquela curva no início da ponte,
dei uma brecada na moto… Senti que alguém pulou na garupa, mas eu não podia
me virar para ver quem era, pois, aquela parte da ponte é perigosa…. Consegui
parar no meio da ponte, e quem estava na garupa saltou da moto; juro que era o
Dandão, aquele pedinte que se enforcou na amurada da ponte, faz uns cinco
meses. Ele olhou nos meus olhos, com sua cara meia corroída por siris, ainda tinha
no pescoço um pedaço da corda com a qual se matou…. Olhou dentro dos meus
olhos e saltou para o lagamar; nunca mais atravesso a ponte depois das seis da
tarde, nunca mais…
Juca
Pangaré tremia feito vara verde, ele não estava mentindo, o homem estava em
pânico, e nós ficamos ali, olhando, sem palavras, todos pensando a mesma coisa;
está chegando a temporada das visagens, época de voltar cedo para casa, de não
sair à noite, os lobisomens já estão uivando na montanha em noites de lua
cheia…
Pangaré tremia feito vara verde, ele não estava mentindo, o homem estava em
pânico, e nós ficamos ali, olhando, sem palavras, todos pensando a mesma coisa;
está chegando a temporada das visagens, época de voltar cedo para casa, de não
sair à noite, os lobisomens já estão uivando na montanha em noites de lua
cheia…
Na
Princesa é assim, as lendas urbanas recordam o passado, e o passado se mistura
com o presente, muitas pessoas sonham com os navios que partiam do Porto Grande
carregados de arroz, lembram dos antepassados que combateram piratas, das
donzelas em seus casarões, dos saraus e serestas, das procissões e festas, dos
dias felizes e das tardes mansas na Fonte do Senhor.
Princesa é assim, as lendas urbanas recordam o passado, e o passado se mistura
com o presente, muitas pessoas sonham com os navios que partiam do Porto Grande
carregados de arroz, lembram dos antepassados que combateram piratas, das
donzelas em seus casarões, dos saraus e serestas, das procissões e festas, dos
dias felizes e das tardes mansas na Fonte do Senhor.
Gastão Ferreira/2019
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.