Me lembro do fim da estrada,
Lá não vivia ninguém…
Depois dela não tem nada,
Eu acredito que tem…
Fui feliz no meu caminho,
Muita amizade eu plantei;
Pisei em poucos espinhos
Nas trilhas por onde andei.
Lembranças seguem comigo,
Tristezas ficam aqui…
Fiz do silêncio um amigo,
Abrigo aonde eu vivi…
Vida e morte, quem se importa,
É sempre a mesma viagem…
Pois quem parte sempre volta
Como parte da paisagem…
Gastão Ferreira
– Imbé/2025 –
.
.
.
.
.
.
.
Ir e Voltar” é um poema que nos convida a refletir sobre a jornada da vida e sua relação inevitável com o tempo, a memória e a transitoriedade. Com versos simples, mas profundamente filosóficos, ele sugere que a existência é um ciclo contínuo, onde partidas e retornos se entrelaçam como parte de uma mesma paisagem.
Cada estrofe traz uma delicada combinação de nostalgia e aceitação, mostrando que, apesar dos desafios e despedidas, levamos conosco as lembranças e deixamos rastros por onde passamos. A última estrofe, em especial, ressoa como um sussurro da eternidade, lembrando-nos que ninguém desaparece completamente – seja na lembrança de quem ficou, seja na natureza cíclica da existência.
Mais do que um poema, “Ir e Voltar” é um convite à contemplação e à paz com os ciclos da vida. Afinal, quem parte sempre volta, de alguma forma.

Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.