O LEÃO DO SOBRADO


O LEÃO DO SOBRADO

Vou despencar
Desse telhado!
Vão me matar,
Estou magoado!

Que fim tão triste
A um nobre rei,
Que a tudo assiste
Calado eu sei!

O rei leão
No seu sobrado
Não sabe não?
Está ferrado.

O que ele via
Na noite escura
Oh! Fantasia
Tudo insinua…

Viu a menina
Viu o pastor
Viu a batina
Viu o cantor

Viu procissão
Santo no andor
Viu o ladrão
Viu o doutor

Sentiu o vento
Provou da chuva
Leu pensamento
Até de viúva!

Ouviu lamento
Ouviu sussurro
Do seu assento
La no escuro…

Não abro a boca
De pedra eu sou.
Que coisa louca
Meu fim chegou!

Urrou prá lua
Pediu ao Bispo
Na casa sua
Cheia de visco

Nem a prefeita
Deu atenção:
– É coisa feita!
Disse o leão.

Adeus Princesa
Do litoral…
Quanta pobreza
No meu final!

Guardem o retrato
Prá ver de novo
Tanto destrato:
– Adeus meu povo!

Gastão Ferreira/2009

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