DIA DO TRABALHO

            Naquela cidade… Tão perto do mar, a comemoração ao Dia
do Trabalho foi inesquecível. Uma festa para ninguém por defeito. Os
professores e seus alunos representaram no entorno da Praça da Matriz os
períodos históricos pelos quais a cidade passou. Começou com os índios
formadores de Sambaquis e suas montanhas de lixo, depois vieram os
Descobridores, os Desterrados, os Mineradores, os Escravocratas, os Senhores de
Engenho, os Coronéis, os Navegantes, os Pescadores e o Zé Povinho.
            Um belo palanque foi montado para as autoridades e
comezinhos, o povo aplaudia o evento, afinal era uma festa comemorativa ao Dia
do Trabalho e naquela cidade… Tão perto do mar, como se trabalhava! Algumas
pessoas labutavam em vários cargos diferenciados, a bem da verdade metiam o
bedelho em tudo e recebiam para isso.
            Perto do meio dia os funcionários da municipalidade
ofereceram um show à parte. Os fiscais com seus blocos de multa, as mulheres da
limpeza pública com seus carrinhos e vassouras fazendo malabarismo incentivavam
a galera ao aplauso, as ambulâncias, os caminhões, os carrinhos de mão, uma
famosa máquina varredora de rua que nunca ninguém viu fechou a apresentação.
            As autoridades almoçaram no restaurante mais caro da
cidade, afinal era Dia do Trabalho e eles tão abnegados servidores mereciam o
melhor, o povo que pagasse a conta da comilança. O Povo foi para casa comer um
bolinho de arroz com peixe frito e esperar a festa noturna.
            A festa noturna era aguardada com ansiedade, normalmente
uma banda ou artista famoso se apresentava e nesse ano seria um conjunto. As
pessoas vestindo suas melhores roupas foram se acercando do local do evento
esperando a abertura dos portões… Foi quando foi solicitado o bilhete de
entrada. Bilhete de entrada?Pagar para festejar o Dia do Trabalho?
            Caso o fato ocorresse em outra cidade, longe do mar, o
desfecho seria fatal. O trabalhador exigiria respeito ao seu dia, mas naquela
cidade… Tão perto do mar! Bem… Ficou por isso mesmo, afinal quem paga a boa
vida dos mandantes?Quem paga cruzeiros marítimos?Viagens
nacionais e
internacionais?Rega-bofes intermináveis?Dinheiro não dá em árvores e de algum
lugar terá que sair!Que saia então do bolso de quem paga impostos… Que saia
do bolso do povo que não reclama e ainda aplaude a mediocridade, a arrogância e
a prepotência. Bom Dia do Trabalho!
Gastão Ferreira

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