CARNAVAL… CARNAVAL…

         Todo
o ano a expectativa é a mesma; – “Quem será o Rei Momo desse ano?” se perguntam
milhares de foliões e após o estrondo dos rojões o apresentador oficial da
festança grita ao microfone; “Bem vindo poooovo! Bem vindos turistas! Bem vindo
geeeeente! Declaro oficialmente aberta a folia…”, na praça vazia Dona Berê
olha para a filha Janivalda e comenta; – “É o Boi! Pelo jeito esse ano o
carnaval vai ser fraco, é melhor a gente colocar a caixa de isopor com as
cervejas geladas perto da concentração, nos fundos da igreja…”
        
“Não pode mãe! Agora temos um local apropriado para a venda de latinhas e
lanches, lá na orla do lagamar…”, diz Janivalda.
        
“Não esquenta filhota! Quer apostar que ninguém vai fiscalizar?”, insinua Dona
Berê.
        
“Isso não é certo mãinha! Os vendedores ambulantes pagaram uma nota preta por
uma barraca e nós não pagamos nada e ainda vamos atrapalhar quem se aglomera no
local…”, responde Janivalda.
        
“To nem aí! To nem aí! Meu negócio é faturar…”, cantarola Dona Berê.
         Grupos
de nativos, fantasiados de turistas, fazem a festa enquanto aguardam a entrada do
famoso bloco carnavalesco “Cheirinho de Manjuba”, que nesse ano trará sobre o
trio elétrico a família imperial reinante e cantante. A apresentadora da folia
anuncia emocionada durante a apresentação de uma bateria; – “Peço um minuto de
silêncio em homenagem a um membro dessa bateria.” E mais nada… O povo se
perguntava; -“Quem é? Quem é?”… Acaba o minuto de silêncio ao anônimo
homenageado.
         O
bloco “Os filhos da truta” arrasou na apresentação; uma cabrocha seminua fazia
mil evoluções quando perdeu a parte de baixo do biquíni e a famosa “truta”
ficou a mostra… Na rua lateral a igreja, os turistas mostravam a criatividade
e novas fantasias eram aplaudidas; garotos mascarados de black blocs, meninas
vestidas de gordas tainhas, crianças imitando super-heróis, fadinhas,
lobisomens e vampiros… Um estranho vestido de cofre forte arrombado foi
expulso sobre vaias do público… Um grupo fantasiado de pedintes foi
desmascarado; eram pedintes reais e de $Reais… O bloco dos catadores de
latinha não participou do desfile e ficou concentrado na baixada do mercado.
         O
famoso Boitatá não deu os chifres na praça, virou bloco bimunicipal e foi mugir
atrás da grana do pré-sal… Não aceitou o convite para desfilar em Registro
porque lá tem o bloco da “Vaca louca” e poderia se apaixonar. Amor de carnaval
é efêmero, mas pode dar encrenca no futuro e o boi pagaria pensão alimentar
para um monte de bezerros desmamados.
         A
festa durou a noite toda, muito ziriguidum… Baticabum… Zumzumzum… Nesse
momento os foliões aproveitam o silêncio do dia para dormirem e os moradores do
centro da cidade estão insones, pois devido à algazarra não fecharam os olhos a
noite inteira; viva o carnaval!
Gastão Ferreira/2014     

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