A MASCARADA
Devilson
chegou animado, era o seu primeiro carnaval na pacata cidade. Seu pai, Dito
Bizarro, jamais permitiu que o filho participasse das folias de Momo, nem mesmo
no ingênuo bloco das crianças do Funil e sempre avisava; – “Enquanto você, Devilson
Eduardo, for menor de idade eu não deixo; carnaval é coisa de satanás e filho
meu não fica de nhenhenhém com o tinhoso.”
chegou animado, era o seu primeiro carnaval na pacata cidade. Seu pai, Dito
Bizarro, jamais permitiu que o filho participasse das folias de Momo, nem mesmo
no ingênuo bloco das crianças do Funil e sempre avisava; – “Enquanto você, Devilson
Eduardo, for menor de idade eu não deixo; carnaval é coisa de satanás e filho
meu não fica de nhenhenhém com o tinhoso.”
Dudu
completou dezoito anos no final do ano passado, e agora é dono do próprio nariz
e veio curtir a festança. Desde criança sabia de cor e salteada a letra do
famigerado Boitatá; – “É o boi! É o boi! É o boi!”
completou dezoito anos no final do ano passado, e agora é dono do próprio nariz
e veio curtir a festança. Desde criança sabia de cor e salteada a letra do
famigerado Boitatá; – “É o boi! É o boi! É o boi!”
Pois
foi no Boi que ele notou a bela mascarada; uma garota que brincava sozinha.
Quando cantava o afamado refrão; é o boi! É o boi! É o boi! Colocava a mãozinha
direita sobre a cabeça e fazia o sinal do chifre e parecia se divertir
adoidada. Dudu era tímido, fraco para bebidas, e, de cara limpa não teve
coragem para paquerar a menina, mas ficou de olho comprido.
foi no Boi que ele notou a bela mascarada; uma garota que brincava sozinha.
Quando cantava o afamado refrão; é o boi! É o boi! É o boi! Colocava a mãozinha
direita sobre a cabeça e fazia o sinal do chifre e parecia se divertir
adoidada. Dudu era tímido, fraco para bebidas, e, de cara limpa não teve
coragem para paquerar a menina, mas ficou de olho comprido.
Perto
de uma hora da manhã já estava completamente torrado, saiu atrás do bloco da
Casinha, do Chapa Coco, do Bar do Belo, do Litraço de Quatro e muitos mais;
resultado! Tomou coragem e partiu para a paquera. O nome da garota era Susan,
apelido Débora, que confessou que também era tímida, mas que após algumas dozes
de vodca e muitas batidas de maracujá, caia de vez na folia e não tava nem aí
para o que desse ou viesse.
de uma hora da manhã já estava completamente torrado, saiu atrás do bloco da
Casinha, do Chapa Coco, do Bar do Belo, do Litraço de Quatro e muitos mais;
resultado! Tomou coragem e partiu para a paquera. O nome da garota era Susan,
apelido Débora, que confessou que também era tímida, mas que após algumas dozes
de vodca e muitas batidas de maracujá, caia de vez na folia e não tava nem aí
para o que desse ou viesse.
Devilson
Eduardo ficou ouriçado e doidinho para fazer nhéco-nhéco com a desconhecida.
Convenceu a guria a dar uma voltinha na orla do lagamar e sentaram num banco
próximo a água; – “Esse é o meu primeiro carnaval” informou Dudu.
Eduardo ficou ouriçado e doidinho para fazer nhéco-nhéco com a desconhecida.
Convenceu a guria a dar uma voltinha na orla do lagamar e sentaram num banco
próximo a água; – “Esse é o meu primeiro carnaval” informou Dudu.
–
“Eu venho todo o ano.” disse Susan.
“Eu venho todo o ano.” disse Susan.
–
“Então você mora na cidade?” perguntou Devilson.
“Então você mora na cidade?” perguntou Devilson.
–
“Sim, nasci aqui, mas só saio durante o carnaval e desde 1914 não perdi nenhum…”
falou Susan Débora.
“Sim, nasci aqui, mas só saio durante o carnaval e desde 1914 não perdi nenhum…”
falou Susan Débora.
–
“Débora! Você está bêbada… Estamos no ano de 2016. Eu gostaria de ver o belo
rostinho que se esconde por detrás dessa máscara, posso?” perguntou Dudu.
“Débora! Você está bêbada… Estamos no ano de 2016. Eu gostaria de ver o belo
rostinho que se esconde por detrás dessa máscara, posso?” perguntou Dudu.
–
“Você não vai gostar do que vai ver.” disse Susan.
“Você não vai gostar do que vai ver.” disse Susan.
–
“Você tem um corpo tão perfeito! O seu rosto deve ser belíssimo…” murmurou
Devilson.
“Você tem um corpo tão perfeito! O seu rosto deve ser belíssimo…” murmurou
Devilson.
–
“Foi belíssimo! Minha mãe era extremamente religiosa, nunca consentiu que eu
participasse de saraus, festinhas, convescotes… No ano de 1914 resolvi pular
a janela e compartilhar dos folguedos… Coloquei uma roupa negra e essa mesma
máscara para não ser reconhecida… Ao tentar pular a janela derrubei um
lampião a querosene e a casa queimou e no incêndio toda a minha família
pereceu… Desde então fui condenada a sair durante todas as noites de carnaval
com essa negra máscara e voltar ao túmulo na madrugada de quarta-feira de
cinzas… A maldição só será desfeita se alguém muito corajoso remover a
máscara.” disse Susan.
“Foi belíssimo! Minha mãe era extremamente religiosa, nunca consentiu que eu
participasse de saraus, festinhas, convescotes… No ano de 1914 resolvi pular
a janela e compartilhar dos folguedos… Coloquei uma roupa negra e essa mesma
máscara para não ser reconhecida… Ao tentar pular a janela derrubei um
lampião a querosene e a casa queimou e no incêndio toda a minha família
pereceu… Desde então fui condenada a sair durante todas as noites de carnaval
com essa negra máscara e voltar ao túmulo na madrugada de quarta-feira de
cinzas… A maldição só será desfeita se alguém muito corajoso remover a
máscara.” disse Susan.
Devilson
gostou da história e achou que Susan estava se divertindo a sua custa… Alisou
os cabelos da garota e de supetão arrancou a máscara da face da menina… Uma
branca caveira de órbitas vazias, um fedor de carne em decomposição… A brisa
espalhou sobre a grama as partículas de pó em que se transformou o corpo de
Susan Débora… Dudu desmaiou de pavor.
gostou da história e achou que Susan estava se divertindo a sua custa… Alisou
os cabelos da garota e de supetão arrancou a máscara da face da menina… Uma
branca caveira de órbitas vazias, um fedor de carne em decomposição… A brisa
espalhou sobre a grama as partículas de pó em que se transformou o corpo de
Susan Débora… Dudu desmaiou de pavor.
Seu
Dito Bizarro, pai de Devilton Eduardo, estava certo; é durante o carnaval que o
diabo gosta de aprontar… Dudu nunca mais participou das folias de Momo e
quando ouve o famoso refrão; é o boi! É o boi! É o boi! Lembra-se de Susan,
apelido Débora, se benze e agradece ter escapado incólume do fatídico encontro
com a assombração.
Dito Bizarro, pai de Devilton Eduardo, estava certo; é durante o carnaval que o
diabo gosta de aprontar… Dudu nunca mais participou das folias de Momo e
quando ouve o famoso refrão; é o boi! É o boi! É o boi! Lembra-se de Susan,
apelido Débora, se benze e agradece ter escapado incólume do fatídico encontro
com a assombração.
Gastão Ferreira/2016
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.