Um tiro no futuro
         Quando
eu era criança, na escola, hasteávamos a bandeira todos os dias, e cantávamos o
hino nacional. As professoras diziam que seríamos o futuro do Brasil. Eu tinha
dez anos, e o há de vir estava muito longe; no futuro teríamos “cérebros
eletrônicos”, foguetes espaciais, tevês coloridas, e muito mais.
         Sem
ninguém perceber o futuro chegou sorrateiro; pedir a benção, beijar a mãos dos
mais velhos saiu de moda, as meninas que engravidavam não eram mais obrigadas à
se casarem com os namorados, ser mãe solteira passou à ser uma conquista e não
uma vergonha para a família.
         Lentamente
a pornografia foi liberada, as revistas que vinham dentro de um plástico preto,
passaram à ser expostas ao vivo e a cores nas bancas de jornais; a liberdade
chegou com muita maconha e música de protesto. Época dos grandes compositores;
Milton Nascimento, Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Chico Buarque.
         Aconteceu
uma revolução, muita gente morreu de ambos os lados, alguns guerrilheiros
fugiram para o exterior; tempos do “ame ou deixe-o”, o Brasil cochilou, o tempo
passou, o futuro deu as caras, e o sonho se transformou em pesadelo.
         As
drogas chegaram para ficar, perderam o respeito pelos mais velhos, pelo hino
nacional, pela família; liberação geral para um povo de educação mínima, poucos
reclamaram das novidades. No passado existiam padres e pastores; um Bispo era
um representante do Papa. Hoje temos Bispos e Apóstolos evangélicos, e alguns templos
religiosos são industrias de arrecadação de dízimos.
         As
crianças e adolescentes passaram a ter um estatuto cheio de regalias, e nenhum
dever. Os velhos, mesmo com cara de velhos, não são chamados de velhos e sim
cidadãos da melhor idade, e o pior é que eles realmente acreditam nisso.
         Os
políticos, condutores do destino da nação, abandonaram o idealismo e se
entregaram de corpo e alma a deusa corrupção. Juízes vendendo sentenças,
religiosos pedófilos, ladrões endeusados pela mídia, pão e circo calando o
grito de protesto… O futuro chegou.
         O
planeta Terra é um palco gigantesco, e cada vida uma história, um filme;
bilhões de atores representando seus medos, suas fantasias, seus sonhos. Existe
uma lei regendo o universo, a Lei de Causa e Efeito; essa lei se altera à cada
ato praticado, gerando novos efeitos. Uma teia de aranha onde o indivíduo se
move, e se transforma constantemente.
         Causa
e Efeito também é conhecida como Lei do Retorno; quem faz o mal, recebe o mal,
e quem pratica o bem é recompensado com o bem. Pensamento, palavras e obras;
três maneiras de agir, três modos de atuação da Lei de Causa e Efeitos. O
pensamento é energia, a palavra uma manifestação consciente do pensar, a obra é
a realização, e todos têm o mesmo peso dentro da lei.
         A
conclusão é de que nada está errado; cada um de nós ajudou à criar o futuro.
Vivemos no futuro que construímos, somos representados por aqueles que a
maioria elegeu, damos esmolas quando deveríamos dar emprego, aplaudimos quando
deveríamos repudiar, silenciamos na hora do protesto; não tem para quem
reclamar, todos nós, juntos e misturados, somos inocentes e culpados; o homem
deu um tiro no futuro… O futuro está agonizante.
         Nada
vai mudar, em algum lugar, um menino sonha com o futuro; viajará para as
estrelas? Não sei!
Gastão Ferreira/2018

Deixe um comentario

Livro em Destaque

Categorias de Livros

Newsletter

Certifique-se de não perder nada!