O semáforo

        
mais de quarenta anos, a Princesa do Litoral ganhou um presente; as duas
motocicletas e os trinta carros particulares, existentes na cidade, ficaram
agradecidos. A novidade chamava à atenção, e era por demais colorido; verde,
amarelo, vermelho.
         Todas
as ruas eram de areia; os mimos foram colocados em local elevado; um em frente
ao Hotel São Paulo, o outro na Praça da Matriz, ao lado do mercadinho Nakamura.
Hoje supermercado Nakamura.
         As
pessoas ficaram encantadas com a nova atração turística, e aprenderam rápido o
significado das cores; o verde era o sinal livre para a passagem de veículos, o
vermelho significava pare, não passe, e o amarelo, o pedestre pode passar.
         No
início foi estranho aceitar a novidade; – “Onde você vai, semenino?”
        
“Vou ver o semáforo, mãe.”
        
“Cuidado com estas novas amizades! Por que não traz o novo amigo para brincar
aqui no quintal? Quem sãos os pais do Semáforo? Gente de fora?” 
         As
crianças faziam fila para atravessar o semáforo, e passavam horas para lá e
para cá. Os sitiantes faziam questão de cruzar a sinaleira, e depois contavam
aos amigos; – “Fui à cidade, e passei pelo semáforo…”
        
“E como vai de saúde o Seu Semáforo? Convidou ele para passar alguns dias aqui
no sitio?”
         As
mocinhas namoradeiras não aceitavam marcar encontro no semáforo, pois desde que
Lurdinha Nanica ganhara o apelido de Lulu Pisca-pisca, o farol ficara mal
afamado, e as garotas de famílias boas, proibidas de ficarem na esquina
espiando o semáforo mudar de cor.
         O
primeiro à ser multado por cruzar no vermelho, foi o moço Epaminondas, primo de
um político; a multa foi cancelada na hora, e o guarda municipal demitido. O
segundo incidente aconteceu com um industrial local, o homem bateu com o carro
na carroça do padeiro, e mandou demitir imediatamente o responsável pela
sinaleira, que afirmara que o industrial não esperou o sinal abrir para
atravessar a rua. Na época, só gente rica possuía automóvel, e os oito guardas
encarregados dos dois semáforos foram demitidos por multarem quem não deviam
multar.
         Ninguém
sabe que fim levou os semáforos, assim como ninguém sabe o fim das câmeras de
monitoramento instaladas faz alguns anos, e que filmaram cenas proibidas para
menores de idade na baixada do mercado e adjacências.
         Tentei
desvendar os segredos por detrás do semáforo; não obtive respostas. Se você,
estimado leitor, lembra desta época feliz, por favor! Nos conte o fim da
história.
Gastão Ferreira/2018
        
        

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