Assassinato no Jairê
No
final dos anos cinquenta do século passado, o bairro rural do Jairê era bem
diferente dos dias atuais; muita plantação de hortifrútis, criação de aves e
suínos, pesca e lavouras de aipim para a fabricação da famosa farinha de
mandioca do Mumuna, juntamente com a produção de afamadas marcas de cachaça.
final dos anos cinquenta do século passado, o bairro rural do Jairê era bem
diferente dos dias atuais; muita plantação de hortifrútis, criação de aves e
suínos, pesca e lavouras de aipim para a fabricação da famosa farinha de
mandioca do Mumuna, juntamente com a produção de afamadas marcas de cachaça.
Foi
a cachaça a causa do horrendo crime; Seu Juca Amborê, pacato cidadão, bom pai
de família, excelente filho, marido exemplar, com muitos amigos e estimado na
vizinhança, numa noite chuvosa, após exagerar um pouco no consumo da pinga
“Paletó Vermelho”, na volta ao aconchego do lar, foi atacado covardemente por
um desconhecido.
a cachaça a causa do horrendo crime; Seu Juca Amborê, pacato cidadão, bom pai
de família, excelente filho, marido exemplar, com muitos amigos e estimado na
vizinhança, numa noite chuvosa, após exagerar um pouco no consumo da pinga
“Paletó Vermelho”, na volta ao aconchego do lar, foi atacado covardemente por
um desconhecido.
O
ser que o atacou era alto, braços longos, que sem pronunciar nenhuma palavra,
simplesmente se jogou na frente de Seu Juca, tentando abraça-lo e o impedir de
seguir o seu caminho; a única saída de Seu Juca Amborê foi puxar do facão e
enterrar na barriga do agressor. Deixando a arma do crime dentro ao cadáver,
correu aos gritos para casa.
ser que o atacou era alto, braços longos, que sem pronunciar nenhuma palavra,
simplesmente se jogou na frente de Seu Juca, tentando abraça-lo e o impedir de
seguir o seu caminho; a única saída de Seu Juca Amborê foi puxar do facão e
enterrar na barriga do agressor. Deixando a arma do crime dentro ao cadáver,
correu aos gritos para casa.
Seu
Juca estava apavorado, matara um homem! Jamais passara por sua cabeça cometer
um crime, nem de passarinhar gostava, quando matavam algum animal, no sitio,
para consumo, ele era o primeiro à sair de perto da vítima. A família foi
chegando, a vizinhança também, os parentes envergonhados com a atitude de Seu
Juca; – “Era ele, ou o assassino! Amborê
agiu certo.”, informava Seu Júlio Guaiamu, padrinho do Seu Juca.
Juca estava apavorado, matara um homem! Jamais passara por sua cabeça cometer
um crime, nem de passarinhar gostava, quando matavam algum animal, no sitio,
para consumo, ele era o primeiro à sair de perto da vítima. A família foi
chegando, a vizinhança também, os parentes envergonhados com a atitude de Seu
Juca; – “Era ele, ou o assassino! Amborê
agiu certo.”, informava Seu Júlio Guaiamu, padrinho do Seu Juca.
–
“Sinal dos tempos!”, disse Dona Zilda Fanha, a crente. “Quem diria que no
pacato Jairê, ocorreria um crime hediondo? Pobre família, agora marcada para
sempre com o sangue derramado de um desconhecido… E as crianças, como vão
crescer, sabendo que o pai é um criminoso? Um assassino! Um monstro! Quem será
o desgraçado que perdeu a vida na escuridão noturna? Será um morador do bairro?
Um fugido? Alguém que mudou recentemente para o Rocio, e veio aprontar na zona
rural? Um serracimano? Vamos juntar um pessoal, esperar a chuva passar, e voltar
ao local do crime… Esperamos o dia clarear; agora é a hora de orar ao Senhor,
e pedir perdão de nossos muitos pecados.”
“Sinal dos tempos!”, disse Dona Zilda Fanha, a crente. “Quem diria que no
pacato Jairê, ocorreria um crime hediondo? Pobre família, agora marcada para
sempre com o sangue derramado de um desconhecido… E as crianças, como vão
crescer, sabendo que o pai é um criminoso? Um assassino! Um monstro! Quem será
o desgraçado que perdeu a vida na escuridão noturna? Será um morador do bairro?
Um fugido? Alguém que mudou recentemente para o Rocio, e veio aprontar na zona
rural? Um serracimano? Vamos juntar um pessoal, esperar a chuva passar, e voltar
ao local do crime… Esperamos o dia clarear; agora é a hora de orar ao Senhor,
e pedir perdão de nossos muitos pecados.”
Seu
Juca permanecia inconsolável, não parava de chorar; sabia que a sua vida
acabara, daqui para a frente era um homem marcado. Por que não parara de beber,
por quê? Ah, se pudesse voltar no tempo! Pela manhã iria com o pessoal até o
local do assassinato; como poderia encarar frente a frente o mortinho, e depois
o delegado, e depois os parentes do defunto…
Juca permanecia inconsolável, não parava de chorar; sabia que a sua vida
acabara, daqui para a frente era um homem marcado. Por que não parara de beber,
por quê? Ah, se pudesse voltar no tempo! Pela manhã iria com o pessoal até o
local do assassinato; como poderia encarar frente a frente o mortinho, e depois
o delegado, e depois os parentes do defunto…
Na
primeira luz da manhã, e ainda garoando, os parentes, os amigos, os vizinhos
refizeram o percurso do Seu Juca; foram até o bar e vieram margeando o Rio
Ribeira. Seu Juca lembrou que para cortar caminho, entrara no mato… Refizeram
o itinerário… De repente todos pararam! Todos espantados com o que viam; o
facão de Seu Juca Amborê enterrado até o cabo no tronco de uma bananeira.
primeira luz da manhã, e ainda garoando, os parentes, os amigos, os vizinhos
refizeram o percurso do Seu Juca; foram até o bar e vieram margeando o Rio
Ribeira. Seu Juca lembrou que para cortar caminho, entrara no mato… Refizeram
o itinerário… De repente todos pararam! Todos espantados com o que viam; o
facão de Seu Juca Amborê enterrado até o cabo no tronco de uma bananeira.
Seu
Juca com os sentidos alterados pela bebida, mais a chuva, o escuro, o vento,
não percebera que saíra fora da trilha. O vento agitando as folhas da bananeira
lembrava dois braços estendidos, o medo do desconhecido causara a reação, e a
reação fora atacar… Seu Juca Amborê era inocente, o assassinato no Jairê,
graças ao Bonje, nunca aconteceu.
Juca com os sentidos alterados pela bebida, mais a chuva, o escuro, o vento,
não percebera que saíra fora da trilha. O vento agitando as folhas da bananeira
lembrava dois braços estendidos, o medo do desconhecido causara a reação, e a
reação fora atacar… Seu Juca Amborê era inocente, o assassinato no Jairê,
graças ao Bonje, nunca aconteceu.
Gastão Ferreira/2018
História real, narrada ao autor pela
escritora iguapense Eliana Novaes.
escritora iguapense Eliana Novaes.
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.