Branca de Neve em Iguape

         Branca
de Neve (Schneewittchen em alemão), é um conto popular germânico que os irmãos
Jacob e Wilhelm Grimm reescreveram entre os anos de 1812-1822, e editaram. A
Princesa do Litoral, apesar de ter nascido em Cananéia, e convivido com todos
aqueles índios peladões, aprendeu a ler e escrever corretamente; é bem verdade
que sempre foi sofrível em matemática, pois até os dias atuais, as contas do
reino nunca fecham, coisa de quem brigou feio com os números.
         A
princesa caiçara, morena, não muito alta, se espelhava na princesa europeia;
lábios vermelhos, cabelos negros como as asas de um corvo (Não existem graúnas
na Europa, e Schneewittchen não era Iracema, a virgem dos lábios de mel.), pele
branca como a neve… “Que será neve?”, perguntava a Princesa do Litoral; “Deve
ser alguma tinta importada!”, pensava.
         Nossa
princesa tupiniquim encasquetou com a Branca de Neve, e nem sabia pronunciar
corretamente Schneewittchen, pensava que a história era verdadeira, e odiava de
verdade a madrasta; – “Se esta zinha aparecer aqui no reino, farei o mesmo que
fazem com ambulantes nas festa do Senhor Bonje, mas sem cair de bunda no chão,
e dar vexame… Me aguarde, sua má drasta!”
         Alguns
súditos, espertos, de olhos atentos em cargos comissionados, presentearam a
Princesa com algumas estatuetas da Branca, outros puxas sacos mimosearam nossa
nobre guardiã com miniaturas de animais e anões. Todos foram indicados para
altos cargos, mas a festa acabou quando a Princesa descobriu que Branca de Neve
era uma lenda, que ela nunca existiu. 
         Algumas
Brancas de Neve e muitos anões escaparam da fúria da Princesa. Uma das
Schneewittchen foi morar numa praça do bairro do Rocio, e levou 7 anões
consigo, e aí, a pracinha sem nome passou à ser a Praça dos 7 anões. Outra
Branca e seus amiguinhos nanicos viraram moradores de rua, sem teto, sem casa;
ficaram por muitos anos no canteiro central de uma rua ao lado do clube
Supimpa. Alguns anões se esconderam na Fonte do Senhor… O tempo passou.
         Que
será que aconteceu com as Brancas de Neve? Ambas desapareceram, e levaram
consigo os anões. Será que foram raptadas por extraterrestres?  Ou estão escondidas em algum porão municipal?
Ou, como as demais estátuas da cidade, resolveram andar à esmo por aí!
         Voltem,
Brancas de Neve! Voltem. Voltem para brincarem de roda, chicote queimado,
amarelinha… Voltem para espiarem as crianças de olhos arregalados abraçarem
os anões; nossa vida é apenas um breve passeio, não estraguem o piquenique…
voltem!
Gastão Ferreira/2017    
        

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