O navio da maldade
Onde está a beleza?
Se apagaram os lampiões
Da passada grandeza
Onde havia canções…
Que se fechem as janelas
E esqueçam os lampiões
Triste fim das donzelas
Nos senis casarões….
Que se fechem as portas
Que se tranquem as janelas
Que se abram as comportas
Que se apaguem as velas…
Que as canoas se afundem
Que se rasguem as redes
Que os baixios se inundem
Que nos matem de sedes…
Que os homens não falem
Destes rios… Lagamar….
Que as sereias se calem
No vazio do meu mar….
Que os piratas invadam
Com invisíveis navios
Onde peixes não nadam
Na secura dos rios…
Ancorou na cidade
A tristeza de vez…
O navio da maldade
Vai zarpar fim do mês.
Gastão Ferreira
Dezembro/2016
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.