Notícias do sitio

         Dona
Summy é uma mulher honesta, calma, tranquila e aparentemente de bem com a vida,
mas de uma hora para outra tudo mudou em seu pacato dia a dia; ela herdou um
sitio meio abandonado, tão largado que até onça bota as garras de fora e se
acha a dona do pedaço; esperta e faminta, a oncinha está sempre pronta para um
novo e traiçoeiro bote.
         O antigo
dono, Seu Tummy, após desenterrar um tesouro pirata que não era pirata,
abandonou o local a Deus dará e Dona Summy, sua única sucessora na família Ummy
assumiu de mala e cuia a fazendola.
         Mulher
acostumada ao batente, foi logo dando uma geral; despediu alguns agregados e
chamou um benzedor para afugentar os fantasmas que há muito comiam e bebiam à
custa de quem prestava serviço.
         A
fortuna do sitio provinha da criação de galinhas, as famosas galinhas dos ovos
de ouro; todos os antigos proprietários ficaram riquíssimos as custas das
penosas e pagaram um alto preço pelo roubo dos ovos dourados, na verdade nenhum
deles foi dono das terras, mas, grileiros.
         Dona
Summy constatou o desaparecimento de muitas galinhas. Eram estranhas estas
galinhas! Parece que gostavam de dar longos passeios; encontraram tais galinhas
cacarejando e saudosas no Chile, Uruguai e Peru.
         Foi
contratado a peso de ouro um homem da família Ynno para vigiar o galinheiro; os
Ynnos alardeavam honestidade, transparência, caráter, e, assim Dona Summy
confiou a chave do galinheiro ao moço bem falante.
         Pouco
tempo passou e dezenas de capivaras invadiram o sitio; eram as capivaras do
jovem Ynno a procura do dono. Dona Summy ficou consternada, havia dado a chave
do tesouro a uma raposa, e mais chateada ficou ao descobrir que alguns dos ovos
de ouro desapareceram misteriosamente.
         O bicho
pegou feio! A oncinha mequetrefe saiu da toca e promete matar desafetos; o
tamanduá cheirosinho se achando o rei do pedaço, quer a volta do antigo
proprietário, o Seu Tummy, seu amigão. Alegam que bicho de rabo preso não anda,
e que cobra que não caminha não engole sapo. Os sapos chiam, coaxam, reclamam
da lagoa quase seca e depois passam a noite toda a cantar e certamente continuarão
a apoiar quem lhes dá a ração grátis.
         Antigamente
as pessoas que moravam no sitio sonhavam em viver na cidade. Hoje os que vivem
na cidade sonham em morar num sitio. Sei não! Pelo andar da carruagem, tanto
faz; os problemas do sítios parecem ser os mesmos da cidade, meu Bonje!
Gastão Ferreira/2016
          
                                                                                                                                                        

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