Madame Pata Sílfide

         Madame
Pata Sílfide, a bem resolvida, estava de mal com a vida; tudo o que tentava
realizar dava com os burros n’água. Seu amado candidato à prefeito perdera
feio, seu regime para se livrar dos oitenta quilos em excesso, não dera em
nada; aliás, ganhara mais alguns quilinhos. A última tentativa de mostrar o
“caminho da rodoviária” para os desafetos, falhara.
         Pata
Sílfide, alcunha carinhosa com que os seus colegas de trabalho se referiam à
madame, vivia deprimida e chorosa; o quê fazer? Logo ela, tão humana, humilde,
gentil! Tinha os seus segundos de pura maldade, mas quem não os têm? Eram
poucos os segundos, só até o desafeto chorar, ter uma crise, desmaiar, pedir
demissão.
         A
megera adorava perseguir os desafetos; uma moça em desespero contratou
casamento às pressas com um velhusco estrangeiro, foi a única forma de se
livrar da megera, digo, da bondosa madame.
         Uma
outra, acossada, pelo comportamento tirânico de Pata Sílfide tentou o suicídio;
a Pata engordava a cada maldade premeditada. Sabia que era má, mas não dava o
braço à torcer; era sua missão infernizar a vida de todos, e só assim era
feliz.
         O
mundo girou, girou, e o tempo passou; A Sílfide que já era um tribufu, e velha,
ficou mais velha e mais tribufu. Se olhava no espelho; – “De onde me vem tanta
beleza? Este excesso de gostosura? Esta extrema sensibilidade? Este amor e
respeito ao próximo e ao distante? Como eu gostaria de ser apenas uma pessoa
normal! Mas, nasci assim; linda e maravilhosa! Tenho que me conformar.”
         O
que aqui se faz, aqui se paga! Diz um sábio ditado popular. Pata Sílfide se
aposentou; sentada na sala, assiste a tevê. Com seus cento e quarenta quilos de
pura gostosura, mal pode levantar da cadeira. Sabrina, a sua empregada
doméstica, está pensando seriamente em praticar um patossídio; não aguenta mais
tanto maltrato, tapas na cara, desaforos gratuitos. Empurrar a jabiraca da
escada? Afogar na banheira? Dar veneno de rato? São tantas opções! Pobre
Sabrina.
         Pobre
Sabrina! Como assim? Ela nunca soube, mas foi a décima terceira empregada
doméstica de madame Pata Sílfide à desaparecer misteriosamente; todas
assassinadas e enterradas no porão…. Segundo madame, todas elas pegaram o
“caminho da rodoviária”, e sumiram da cidade.
Um brinde a
generosidade humana; tintim!
Gastão Ferreira/2016       
        
          

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