Escândalo – Nota de separação
Aos
que me apreciam, e sabem que sou de fino trato, viajada. Conheci o Camboja, o Japão,
a China, as duas Coréias, a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, todo o sul e o sudeste
do Brasil. Apesar da humildade, sou famosa; branca como o leite, mas quando
misturo os ingredientes amarelo, ficava roxa, verde, cor de rosa, e outros tons
intermediários. Muito seletiva, sempre adorei um pretinho básico. Casei, e
formei o par perfeito. Da união nasceram os filhos, coisas da genética, tivemos
um ruivinho, um rajado, um branquelo. À quem interessar, nunca traí meu marido.
que me apreciam, e sabem que sou de fino trato, viajada. Conheci o Camboja, o Japão,
a China, as duas Coréias, a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, todo o sul e o sudeste
do Brasil. Apesar da humildade, sou famosa; branca como o leite, mas quando
misturo os ingredientes amarelo, ficava roxa, verde, cor de rosa, e outros tons
intermediários. Muito seletiva, sempre adorei um pretinho básico. Casei, e
formei o par perfeito. Da união nasceram os filhos, coisas da genética, tivemos
um ruivinho, um rajado, um branquelo. À quem interessar, nunca traí meu marido.
Marido
ciumento, desde o primeiro encontro jamais ficamos um dia longe um do outro. A
coisa mudou; a crise chegou severa, a fonte secou, a água acabou, o boi morreu.
Algo aconteceu. Eu continuo uma mulher ingênua, crédula. Uma Amélia! Passei
fome ao lado do negrinho, só nos dois e mais ninguém, nunca reclamei da
situação precária.
ciumento, desde o primeiro encontro jamais ficamos um dia longe um do outro. A
coisa mudou; a crise chegou severa, a fonte secou, a água acabou, o boi morreu.
Algo aconteceu. Eu continuo uma mulher ingênua, crédula. Uma Amélia! Passei
fome ao lado do negrinho, só nos dois e mais ninguém, nunca reclamei da
situação precária.
Foi
o safado quem mudou! Antes gente humilde, gostava de pobre, não ligava de se misturar,
sem nenhum preconceito, de uma hora para a outra deu para se exibir. Eu não
conseguia entender o porquê de não mais dividirmos o mesmo prato, meu marido passou
a detestar pobre, logo ele que nasceu no mato. Na panela até a rapa queimei.
Ele agora só frequenta a mesa dos ricaços. Fazer o que, continuo apaixonada,
ele foi o par perfeito, meu único amor. Tentei de tudo para tê-lo de volta à meu
lado, fiquei grudenta, amoleci, e aparentemente desisti, sei que um dia ele
voltará com o rabinho entre as pernas. Amor verdadeiro não acaba assim. Peço
desculpas pelo desabafo, mas estou comunicando aos amigos, admiradores, e
simpatizantes que ele Feijão pediu a separação. Jamais imaginei passar por
momentos tão amargos; ele, o pilantra do Feijão, foi seco e grosso ao se
despedir com estas duas palavras; – Arroz, adeus!
o safado quem mudou! Antes gente humilde, gostava de pobre, não ligava de se misturar,
sem nenhum preconceito, de uma hora para a outra deu para se exibir. Eu não
conseguia entender o porquê de não mais dividirmos o mesmo prato, meu marido passou
a detestar pobre, logo ele que nasceu no mato. Na panela até a rapa queimei.
Ele agora só frequenta a mesa dos ricaços. Fazer o que, continuo apaixonada,
ele foi o par perfeito, meu único amor. Tentei de tudo para tê-lo de volta à meu
lado, fiquei grudenta, amoleci, e aparentemente desisti, sei que um dia ele
voltará com o rabinho entre as pernas. Amor verdadeiro não acaba assim. Peço
desculpas pelo desabafo, mas estou comunicando aos amigos, admiradores, e
simpatizantes que ele Feijão pediu a separação. Jamais imaginei passar por
momentos tão amargos; ele, o pilantra do Feijão, foi seco e grosso ao se
despedir com estas duas palavras; – Arroz, adeus!
Gastão Ferreira/2016
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.