De outro mundo

        
muito tempo estou aqui. Era um simples piquenique; um acampamento de final de
semana, mas algo saiu mal. Fiquei só na barraca e fui raptada por um bando de humanoides,
estávamos na África.
         Ensinei
o menino a desenhar no interior da caverna, fiz o primeiro arco e flecha. Fui
chamada de feiticeira e deusa; ganhei um templo.
         A
caminhada foi longa; a tribo se deslocava lentamente, um dia atravessamos o mar
e chegamos a Europa, oitocentos anos durou a viagem.
         Mudei
de vestes milhares de vezes; fui negra, amarela e branca. Gorda, esbelta,
esquelética, também troquei de tribo, fundei cidades, fui guerreira e escrava.
         Conheci
muitos deuses; no Egito adorei Amom-rá, na Grécia tive uma queda por Afrodite e
em Roma me identifiquei com Cibele. Os deuses passaram, as grandes civilizações
desapareceram.
         As
raças ancestrais se apagaram na memória do homem, e o homo sapiens deu início a
grande jornada em busca do conhecimento; as estrelas do céu ganharam nomes, o
sol deixou de ser um deus, os velhos deuses foram vencidos e novos deuses
surgiram.
         Conheci
pessoas incríveis; Amenofis IV, Platão, Giordano Bruno, Leonardo da Vinci.
Conversei com a Sibila de Cumas, visitei o templo de Apolo em Delfos, vi
construírem as pirâmides do Egito.
         Encontrei
casualmente pessoas más; Calígula quase me assassinou, escapei de ser
envenenada por Lucrécia Borgia, e por muito pouco não fui queimada nas
fogueiras da santa inquisição. Não participei da destruição de Jerusalém e nem
das Cruzadas.
         Por
dez mil anos vaguei entre África, Ásia e Europa; jamais duvidei de que meus
amigos voltariam ao planeta a minha procura. Não somos eternos, mas
envelhecemos lentamente; sou a mesma adolescente de sempre e ainda falta muito
para ser uma adulta.
         Com
as novas descobertas cheguei ao Novo Mundo; assisti à destruição da civilização
Inca, dos Astecas e dos Maias. Habitei uma choupana na Terra das Palmeiras,
Pindorama, a qual deram o nome de Terra de Vera Cruz e depois Brasil. Moro em
Cananeia, litoral sul do Estado de São Paulo há quinhentos anos.
         Ontem
avistei uma nave no céu; meus iguais me procuram. Acredito que desta vez me
encontrarão; retirei minha derradeira veste. Não sou mais a garota que serve
mesas no bar do mercado de peixes. Tenho que ser cuidadosa, pois sou uma
alienígena e minha aparência assusta.
         Finalmente
meus amigos me localizaram; deixo minha história gravada e caso seja
encontrada, por favor, divulguem
a fim que todos saibam que a raça humana
não está só no universo. Quem sabe no futuro nos encontraremos entre as
estrelas do céu.
Aliena/2016
Gastão Ferreira/2016
            

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