CONVITE PARA FESTA
Recebi por e-mail um convite para
uma festa a fantasia num sitio, seria uma noite das bruxas a moda caipira. Duas
exigências foram feitas; – Não levar companhia e chegar ao local do evento
exatamente as vinte e três horas.
uma festa a fantasia num sitio, seria uma noite das bruxas a moda caipira. Duas
exigências foram feitas; – Não levar companhia e chegar ao local do evento
exatamente as vinte e três horas.
No horário marcado estacionei a moto
frente ao salão parcamente iluminado… As fantasias eram horrorosas, piratas
com punhais cravados no peito, enforcados de olhos esbugalhados, zumbis com
olhares vazios, bruxas de todas as idades, esqueletos saltitantes, lobisomens, pessoas
assassinadas com requintes de sadismo, enfim todas as criaturas que povoam os
pesadelos.
frente ao salão parcamente iluminado… As fantasias eram horrorosas, piratas
com punhais cravados no peito, enforcados de olhos esbugalhados, zumbis com
olhares vazios, bruxas de todas as idades, esqueletos saltitantes, lobisomens, pessoas
assassinadas com requintes de sadismo, enfim todas as criaturas que povoam os
pesadelos.
Interessante essas alegorias!
Pensei. Não esperava encontrar fantasias tão bem elaboradas. Confesso que
estava um tanto envergonhado, pois eu era o único fantasma na festa e por sinal
um fantasma dos mais pobres, o que me cobria era um velho lençol branco com
dois furos para os olhos.
Pensei. Não esperava encontrar fantasias tão bem elaboradas. Confesso que
estava um tanto envergonhado, pois eu era o único fantasma na festa e por sinal
um fantasma dos mais pobres, o que me cobria era um velho lençol branco com
dois furos para os olhos.
Achei estranho os participantes me
chamarem pelo nome, pois eu não conseguia adivinhar quem estava por detrás das
máscaras. Ao dançar com uma das bruxas ali presente fui informado que a festa
da qual participava ocorria anualmente à véspera do dia de finados e que a cada
ano era escolhido um morador da cidade para compartilhar do evento, essa era a
razão pela qual sabiam o meu nome. Perguntei por que motivo jamais ouvira falar
da famosa festa, a resposta foi apenas um enigmático e cativante sorriso.
chamarem pelo nome, pois eu não conseguia adivinhar quem estava por detrás das
máscaras. Ao dançar com uma das bruxas ali presente fui informado que a festa
da qual participava ocorria anualmente à véspera do dia de finados e que a cada
ano era escolhido um morador da cidade para compartilhar do evento, essa era a
razão pela qual sabiam o meu nome. Perguntei por que motivo jamais ouvira falar
da famosa festa, a resposta foi apenas um enigmático e cativante sorriso.
Um murmúrio vindo de fora do salão
chamou a minha atenção, era como uma reza misturada a um cantar plangente… Os
mascarados agruparam-se no centro do salão e nesse momento dezenas de pessoas
encapuzadas, vestindo longos mantos brancos e portando uma vela acesa foram
adentrando o ambiente. Gemidos, gritos, lamentos… Um vento frio e cortante
misturado ao fedor de carne em decomposição empesteava o ar. Confesso que
estava fascinado pelos efeitos especiais num local tão carente, então soaram as
doze badaladas anunciando a meia-noite, o vento rugiu, todas as velas e luzes
se apagaram, um silêncio sepulcral se fez presente. Em pânico fui até a parede
a procura de um interruptor de luz e ao acioná-lo o salão estava totalmente
vazio, faltavam algumas telhas, as janelas estavam quebradas, o local estava em
completo abandono. Então compreendi! Eu era o estranho, o único vivo a
participar da festa dos mortos. Aterrorizado saí em disparada.
chamou a minha atenção, era como uma reza misturada a um cantar plangente… Os
mascarados agruparam-se no centro do salão e nesse momento dezenas de pessoas
encapuzadas, vestindo longos mantos brancos e portando uma vela acesa foram
adentrando o ambiente. Gemidos, gritos, lamentos… Um vento frio e cortante
misturado ao fedor de carne em decomposição empesteava o ar. Confesso que
estava fascinado pelos efeitos especiais num local tão carente, então soaram as
doze badaladas anunciando a meia-noite, o vento rugiu, todas as velas e luzes
se apagaram, um silêncio sepulcral se fez presente. Em pânico fui até a parede
a procura de um interruptor de luz e ao acioná-lo o salão estava totalmente
vazio, faltavam algumas telhas, as janelas estavam quebradas, o local estava em
completo abandono. Então compreendi! Eu era o estranho, o único vivo a
participar da festa dos mortos. Aterrorizado saí em disparada.
Retornei
para casa e apavorado fui verificar no computador quem enviara o convite. Ao
acessar o remetente, surgiu na tela uma caveira entre duas tíbias e a mensagem
apagou-se sozinha. Desde então nunca mais aceitei convite para festas de quem
não conheço.
para casa e apavorado fui verificar no computador quem enviara o convite. Ao
acessar o remetente, surgiu na tela uma caveira entre duas tíbias e a mensagem
apagou-se sozinha. Desde então nunca mais aceitei convite para festas de quem
não conheço.
Gastão
Ferreira
Ferreira
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.