CABEÇA DE POTE
Muito
antes da instalação do transporte com balsa no bairro Barra do Ribeira, existiu
um imenso bambuzal na foz do rio que deu seu nome ao vilarejo e no meio deste
taquaral viveu um homem apelidado Cabeça de Pote.
antes da instalação do transporte com balsa no bairro Barra do Ribeira, existiu
um imenso bambuzal na foz do rio que deu seu nome ao vilarejo e no meio deste
taquaral viveu um homem apelidado Cabeça de Pote.
Cabeça
de Pote construiu seu humilde barraco entre os bambus que margeavam o rio,
tirava seu sustento unicamente da pesca. Quando da construção do porto da balsa,
o desmatamento das bordas do Rio Ribeira de Iguape foi completo e a tapera de
Cabeça de Pote arrasada. O homem já velho, não teve como construir outra morada
e de desgosto enlouqueceu. Em sua insanidade passou a falar sozinho, ora rindo
ora chorando, mas sempre rogando pragas nos usuários do novo meio de transporte,
aos quais culpava pela perda do seu antigo lar.
de Pote construiu seu humilde barraco entre os bambus que margeavam o rio,
tirava seu sustento unicamente da pesca. Quando da construção do porto da balsa,
o desmatamento das bordas do Rio Ribeira de Iguape foi completo e a tapera de
Cabeça de Pote arrasada. O homem já velho, não teve como construir outra morada
e de desgosto enlouqueceu. Em sua insanidade passou a falar sozinho, ora rindo
ora chorando, mas sempre rogando pragas nos usuários do novo meio de transporte,
aos quais culpava pela perda do seu antigo lar.
Com
o passar do tempo Cabeça de Pote foi definhando lentamente. Sem amigos, sem
família, comendo dos restos que conseguia encontrar, morando num barraco de pau
a pique, na mais negra miséria veio a falecer.
o passar do tempo Cabeça de Pote foi definhando lentamente. Sem amigos, sem
família, comendo dos restos que conseguia encontrar, morando num barraco de pau
a pique, na mais negra miséria veio a falecer.
Após
a morte de Cabeça de Pote um fato insólito começou a ocorrer no local. Nas
noites com neblina muitas pessoas enxergavam um vulto gesticulando próximo ao
atracadouro da balsa, no caminho que segue para o bairro de Icapara. Na chegada
do transporte, o porto estava deserto.
a morte de Cabeça de Pote um fato insólito começou a ocorrer no local. Nas
noites com neblina muitas pessoas enxergavam um vulto gesticulando próximo ao
atracadouro da balsa, no caminho que segue para o bairro de Icapara. Na chegada
do transporte, o porto estava deserto.
Naquela
época a travessia era escassa, de duas a quatro vezes por dia e quem perdia a
última balsa, das dezoito horas, tinha que pernoitar a beira rio. Transporte
para o bairro Barra do Ribeira somente após as seis da manhã seguinte.
época a travessia era escassa, de duas a quatro vezes por dia e quem perdia a
última balsa, das dezoito horas, tinha que pernoitar a beira rio. Transporte
para o bairro Barra do Ribeira somente após as seis da manhã seguinte.
Conta
a lenda urbana e os mais antigos confirmam que era praticamente impossível
dormir no porto da balsa. Quando o vivente estava a pegar no sono sentia alguém
a cutucar seu corpo, ouvia choro, escutava risos, murmúrios sussurrados ao pé
do ouvido, mas ao abrir os olhos estava completamente sozinho. Nem cochilar era
possível, bastava um breve desligar da realidade e a assombração recomeçava.
Era Cabeça de Pote fazendo sua cobrança, contando sua história, amaldiçoando os
desavisados. Os moradores do bairro faziam de tudo para não perderem a última
balsa, o medo maior era ficar só na escuridão à espera do alvorecer.
a lenda urbana e os mais antigos confirmam que era praticamente impossível
dormir no porto da balsa. Quando o vivente estava a pegar no sono sentia alguém
a cutucar seu corpo, ouvia choro, escutava risos, murmúrios sussurrados ao pé
do ouvido, mas ao abrir os olhos estava completamente sozinho. Nem cochilar era
possível, bastava um breve desligar da realidade e a assombração recomeçava.
Era Cabeça de Pote fazendo sua cobrança, contando sua história, amaldiçoando os
desavisados. Os moradores do bairro faziam de tudo para não perderem a última
balsa, o medo maior era ficar só na escuridão à espera do alvorecer.
Na
atualidade o porto da balsa para a Barra do Ribeira, do lado de quem chega ao
bairro possui muitas construções, bares e as balsas funcionam vinte e quatro
horas ininterruptamente. Ninguém pernoita mais do lado de cá do porto, mas os que
habitam o local vez por outra ainda ouvem gargalhadas e lamentações. Os mais
corajosos afirmam avistar um vulto caminhando na orla do rio e que desaparece
na presença de luz. É Cabeça de Pote que inda chora a perda de sua humilde
casa. É o Rio Ribeira que jamais esqueceu os bambuzais e junta seu lamento ao
pranto do velho pescador que enlouqueceu.
atualidade o porto da balsa para a Barra do Ribeira, do lado de quem chega ao
bairro possui muitas construções, bares e as balsas funcionam vinte e quatro
horas ininterruptamente. Ninguém pernoita mais do lado de cá do porto, mas os que
habitam o local vez por outra ainda ouvem gargalhadas e lamentações. Os mais
corajosos afirmam avistar um vulto caminhando na orla do rio e que desaparece
na presença de luz. É Cabeça de Pote que inda chora a perda de sua humilde
casa. É o Rio Ribeira que jamais esqueceu os bambuzais e junta seu lamento ao
pranto do velho pescador que enlouqueceu.
Gastão Ferreira
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.