Os Terráqueos
         Num
recanto remoto da selva amazônica, eles plantavam
, pescavam,
caçavam; tinham suas crenças, seus deuses, seus chefes, seus ódios e amores.
Acreditavam que estavam sós na grande floresta, que Tupã, o pai de todos,
criara do nada aquela imensa mata só para eles; denominavam a si de Terráqueos.
         Observavam
o céu, as vezes notavam objetos voadores não identificados; demônios que
cruzavam o espaço? Deuses do passado em visita a seu mundo? Não sabiam!
Estrelas despencavam na noite, mistérios que nem os pajés conheciam. Um dia,
algo caiu do céu, foram verificar.
         Foi
difícil entender a criatura; era em tudo semelhante à eles. Com o tempo, o
estrangeiro aprendeu a sua língua, e o dialogo pode ser estabelecido; disse que
veio de um lugar chamado São Paulo. Eles não acreditaram, palavras estranhas;
cidade, televisão, avião, celular, escolas, e milhares de outras, todas
desconhecidas.
         A
cidade de São Paulo possuía milhões de habitantes; não! Não eram filhos de
Tupã. Os homens de lá, percorriam longas distancias em automóveis…
Automóveis? Máquinas que caminhavam sozinha! Voavam pelos céus em helicópteros
e aviões… Impossível! Tal lugar não existe, os Terráqueos eram os únicos
seres inteligentes do universo, disso tinham plena certeza.
         O
meteoro caiu num sitio próximo à cidade de São Paulo, o garoto foi verificar;
não era uma estrela cadente, mas uma aeronave, o piloto sobreviveu a queda; –
“Algum experimento norte-americano”, pensou o rapaz, o traje do navegador
indicava isso.
         O
humanoide abriu os olhos, eram amarelos, o moço se apavorou; – “Não tenha medo,
sou de paz”, disse a figura, “estou visitando, e pesquisando há muito tempo o
seu pequeno planeta azul, a nave sofreu uma avaria, mas posso concertá-la,
fique calmo.”
         Vinha
de longe, do centro da galáxia; seu mundo não era azul, e sim amarelo, possuía
três luas e cada uma de uma cor diferente, todas habitadas. Um planeta imenso,
cem vezes maior do que este, se deslocavam por teleporte, e se comunicavam
através da mente, não possuíam deuses, nem líderes religiosos, nem chefes
supremos; o rapaz não acreditou.
        
“Imagine que este local, onde você vive, seja uma parte da grande floresta
amazônica, e que eu venha de São Paulo; você jamais entenderia São Paulo, e por
mais que eu descrevesse o meu mundo, a tua mente não pode abarca-lo, simples
assim!”
        
“Eu sou um terráqueo, tenho a capacidade cognitiva da minha espécie; posso
aprender qualquer coisa.”
        
“Como pesquisador posso afirmar que vocês estão muito longe de realmente
entenderem o universo, um dia, quem sabe! Perante a evolução vocês não passam
de crianças; guerras, ciúmes, lutas pelo poder, doenças… Realmente, estão nos
primeiros passos, um dia também andarão por entre as estrelas… A nave está
consertada! Adeus terráqueo.”
Gastão Ferreira/2018 
          
  

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