Uma filha da Princesa

(Aurea de Carvalho Costa)

         Nascida
em 15/04/1946 na Barra do Una, bairro rural de Iguape, na propriedade onde o
seu pai, o grande bananicultor Totó Vitu plantava milho, mandioca, feijão,
arroz, hortifrútis, onde a criação de animais domésticos fazia a alegria da
menina Aurea; ela possuía o seu próprio meio de transporte, um cavalo.
Árvore
solitária de profundas raízes iguapense, bela planta nativa da terra caiçara,
banhada pelas águas do Rio das Pedras; infância feliz entre imensos bananais, filha
única de Antônio Carlos da Costa (Totó Vitu), e Andrelina de Carvalho Costa, a
eterna menina, Aurea de Carvalho Costa, conta a sua história de vida.
Foi
alfabetizada pela própria mãe, e aos sete anos, quando a família se mudou para
a cidade grande (Iguape), foi matriculada no colégio Vaz Caminha, depois
frequentou o antigo Jeremias Junior (antigo porque a escola mudou de nome para
Eulálio, e atualmente se chama Benedito Rosa).
Aurea sempre
gostou de estudar; fez Magistério, Administração Escolar, Faculdade de
Pedagogia em Mogi das Cruzes com habilitação em Inspeção Escolar/Pedagogia, e
na cidade de Batatais se especializou em Filosofia, Psicologia, Sociologia, e
concluiu o curso de Supervisão de Ensino, na cidade de Assis.
Formada,
estagiou no colégio Vaz Caminha (1969), e começou a lecionar na escola José
Muniz Teixeira no bairro do Rocio, voltou ao Vaz Caminha, lecionou no Eulálio,
depois no sitio Piunduva e no bairro de Icapara. Efetivada, deu aulas por nove
anos em Ilha Comprida, onde também foi Assistente de Diretora. Por dezesseis
anos ensinou no Veiga Junior, depois voltou ao Vaz Caminha, e ali se aposentou
como professora; foi uma das fundadoras, e presidente da APAE em Iguape.   
Aurea desde
criança demonstrou grande religiosidade, quase fugiu de casa para ser freira;
só não fugiu porque sua mãe Andrelina a vigiava dia e noite. Frequentadora
assídua do Santuário do Bom Jesus, prestou diversos serviços comunitários à
paroquia; alfabetização de adultos, presidente da Casa da Sopa, pastoral da
Saúde, Coordenadora do Dízimo, Ministra da Eucaristia, Palavra e Exéquias,
entre outros. Participante ativa nas atividades religiosas, se destaca em
“Cantos Litúrgicos”.
Se acaso
tivesse realizado o seu sonho infantil, o de se tornar freira, com certeza hoje
seria uma Madre Superiora, alguns colegas conseguiram, e dentre elas estão as
seguintes religiosas de origens iguapense; Maria Gamba, Celina Caminari, Isa
Carvalho, Amância Costa, e os padres Agenor Santana, Nicolau Cunha, Magno de
Lara, João Oscar Martins, José Luiz Isidoro, Lúcio, Roberto, Arinildo, Gilberto
Gatto.
Andrelina de
Carvalho Costa, a mãe de Aurea, foi alfabetizada pelas Irmãs da Imaculada
Conceição que por muitos anos mantiveram uma escola na cidade, o convento
ficava no prédio onde é hoje o restaurante do Hotel Silvi, na esquina da Praça
São Benedito, e a escola no casarão da Casa da Sopa; o convento e a escola
foram desativados antes dos anos sessenta.
Aurea
carrega consigo uma alegria contagiante; reclama de suas dores físicas, mas
silencia e afaga as dores alheias. Piadista de primeira, não perde uma deixa, o
famoso jeitinho caiçara de ser; onde ela está são muitas as gargalhadas,
consegue rir de si mesma, coisa rara! Um exemplo à ser seguido. Simples, culta,
sem frescuras, encanta a plateia sem esforço. Uma simples visita da Aurea se
transforma em festa, eu já vi acontecer várias vezes. 
Gentil, de
trato fácil, de bem com a vida; aposentada, a vida de Aurea é um corre-corre.
Visita doentes, leva a eucaristia aos acamados, presta as últimas obrigações
litúrgicas aos falecidos, e com a sua voz excepcional, canta, canta, e canta…
É apenas uma serva do Senhor, pés no chão, piadista, amiga dos amigos, sua alma
caiçara se encantou por nossos rios, lagamar, montanhas. Ainda guarda consigo
as manhãs infantis, o cheiro da mata, o cantar do galo, o silencio dos sítios
rurais, as viagens de bateira em companhia do pai, a saudade da mãe que partiu,
o sol da tarde. Sabe que tudo é pó, conhece o riso e a dor, a chegada e a
partida; sem vaidades, sem egoísmo, apenas uma caiçara, uma abençoada filha da
Princesa do Litoral; ela não sabe, mas para aqueles adultos que foram
alfabetizados, e conquistaram novos caminhos graças à sua paciência em ensinar
gratuitamente, para os doentes tratados com carinho em meio a dor e a solidão,
para os que se encantam com a sua voz cristalina e pura, Aurea de Carvalho Costa,
faz toda a diferença.
Gastão
Ferreira/2017  
        
        
        

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