Um novo amor para a Princesa

         No
Palácio Real todos notavam o estranho comportamento da Princesa do Litoral;
longos suspiros, olhar perdido nas montanhas, olhos brilhantes, sorrisos
furtivos, e por vezes falta de apetite. Quando Odalisca, sua camareira, lhe
ofereceu uma tainha na telha, a Princesa não mostrou o menor interesse em
prová-la.
         A
cozinheira do palácio ficou magoada, e caprichou; tainha na folha da bananeira,
casadinho de manjuba, robalo a moda da Barra do Ribeira, siri mole, farofa de
raposa, tateto assado ao molho de cajá-manga; que nada! A Princesa fazia cara
de nuvem e nem tocava na comida. 
         Josephus,
o conselheiro, o amigo, chamou Odalisca para uma conversa; – “Oda, sua bruaca!
O que acontece com nossa amada Princesa?”
         –
“Num sei arteza! A muié parece está vivendo num otro mundo…”
         –
“Por que você está falando assim, dessa maneira estranha? Está endoidando?”
         –
“É que vou participar de um filme sobre o encontro da imagem do Bom Jesus, e
estou treinando nas falas…”
         –
“Entendi… Esquece a filmagem e me diga algo sobre o estranho comportamento da
Princesa…”
         –
“Ela acorda sorrindo… Tem vezes que dança sozinha, nem parece ter 479 anos de
idade. Seu comportamento é o de uma menininha de 13 aninhos…”
         –
“Meu Bonje! Será que nossa doce Princesa está ficando caduca?”
         –
“Acho que está mais para quem está apaixonada…”
         –
“Mais respeito, Oda! Alguém para lá da terceira idade, apaixonada? Acho
impossível… Vou tentar uma conversa séria com ela.”
         –
“Não seria melhor, o senhor ficar escondido e observar o comportamento da
Princesa? Talvez o senhor descubra quem é a paquera…”
         Josephus
aproveitou o momento em que a Princesa passeava no jardim, e ficou escondido,
observando o que se passava… A Princesa desfolhava uma margarida, pétala por
pétala; – “Bem-me-quer… Malmequer… Bem-me-quer…Malmequer…  Oh! Bem-me-quer…”
         –
“A coisa é bem pior do que eu pensava! Agora deu para falar sozinha. Pobre
Princesa!”
         –
“Ele me ama… Ele me fotografa todos os dias… Ele se preocupa comigo… Meus
súditos o aprovam… Ele é quase um príncipe… Oh! Meu amor e futuro
esposo…”
         –
“Meu Bonje! Quem será esta nova e fulminante paixão?”
         –
“Ele é honesto… Não gosta de politicagem… Ainda faltam três anos para que
eu possa me deitar naquele PRADO verdejante… Três anos passam voando… Ele
me ama… Ele me fotografa todos os dias…”
         –
“Opa! Já sei por quem a Princesa do Litoral está apaixonada. Parece que desta
vez dará certo… Vou torcer pelo casamento perfeito, o reino merece, pois além
de humilde, honesto, trabalhador, o homem é um ótimo fotógrafo; com drone ou
sem drone.”
Gastão Ferreira/2017 
        

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