Princesa traumatizada

 

         A
Princesa estava sapeando no Facebook; – “Meu Bonje! O que é isto? Não acredito!
É mais uma afronta ao meu belo reino. Josephus! Josephus! Venha aqui.”
         Josephus,
secretário oficial, primeiro amigo, pai-de-santo particular, cabeleireiro e
confidente, chegou apressado; – “O que foi Alteza? Qual o motivo de tanta
aflição?”
        
“Espia esta foto!”
        
“Oh! O rebocador que a senhora ganhou de presente da Marinha de Guerra do
Brasil.”
        
“Você tem o descaramento de chamar este lixo de presente?”
        
“Quando foi dado ao reino, no ano de 2006, era lindo…”
        
“Chame Odalisca, a minha camareira, e peça que ela me traga um calmante…”
        
“Oda! Oda, querida! A Princesa do Litoral necessita de um calmante.” Gritou
Josephus, “Corra, menina!”
        
“Seja educado! Isto são modos de tratar a minha serviçal? Aos gritos e sem um
mínimo de civilidade.”
        
“Oda não é o que aparenta, Majestade! Ela é uma espiã infiltrada no reino,
tenho quase certeza disso, basta observar como ela trata os outros servos do
Palácio Real.”
        
“Você está é morrendo de ciúmes, Josephus. Lisca é uma boa bisca.”
        
“O seguro morreu de velho, Alteza!”
        
“Você acredita que Odalisca tenha algo à ver com o que aconteceu ao rebocador?”
        
“Pela foto dá para notar que tem um saco de lixo do Palácio Real junto ao
barco…”
         Olhos
baixos, tímida, sorriso maroto, Odalisca serviu o calmante; – “Deseja mais
alguma coisa, amada Princesa?”
        
“Sim, querida! Gostaria de saber como este lixo do Palácio foi parar dentro do
rebocador? Olhe esta foto.”
        
“Oh, não! O saco de lixo que dei de esmola à um jovem pedinte…”
        
“Você deu um saco de lixo de esmola para um mendigo? Como assim, criatura? Não
sabe que não é permitido dar as sobras dos banquetes oficiais…”
        
“O rapaz estava faminto, Alteza! Estava à procura de serviço no reino, não fiz
por mal.”
        
“Todos estão à procura de serviço no reino! Pena que nunca encontram. Terei de
ter uma conversinha particular com o meu novo administrador…”
        
“Deixe o homem trabalhar, Majestade! Ainda não é a hora de cobranças.” Disse
Josephus.
        
“Josephus! Alguém tem que tomar providências.  
Coisas estranhas acontecem, e não é de hoje! Roubaram o Leão da
Passarela, e ninguém viu. Quebraram a Estátua do Pescador, e ficou por isto
mesmo, mil coisas desaparecem e ninguém sabe, ninguém viu…”
        
“Calma, Alteza! Tome mais um pouco do chá calmante…
Não pode culpar o jovem administrador, a
senhora sabe muito bem que quem suja a cidade é o povo; eu acho que Vossa
Majestade poderia se utilizar de Odalisca para uma missão secreta…”
        
“Missão secreta? Que beleza! Eu sempre sonhei em ser uma famosa espiã, igual a
Mata o Ary, ao Jaime Trem.” Falou Odalisca.
        
“Mata Hari, querida! James Bond, amada! Sim, você será a nossa Mata Hari
caiçara; meus olhos e ouvidos em meio à plebe vil, e irá relatar tudo o que
observar de estranho no reino; quero nomes! Quero apelidos! Quero sangue!”
        
“Pode deixar comigo! Sempre às ordens, Majestade.”
        
“Primeiro descubra quem usou o rebocador como lixeira, depois quero um
relatório completo sobre o que farão com o que sobrou do barco e não esqueça;
quero nome e sobrenomes.”
        
“Eh, lasqueira!” Pensou Josephus.
  
Gastão
Ferreira/2017

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