O carnaval no sitio/2017
Pelo
segundo ano consecutivo estou participando do carnaval; já sou um cão
adolescente e dono do meu focinho. O meu dono é muito festeiro, fez fantasias
para todos os da família; Emily Christoffer sairá de “Gata Borralheira”, mãe
Débora de “A Última Tainha”, e eu de bat-cão.
segundo ano consecutivo estou participando do carnaval; já sou um cão
adolescente e dono do meu focinho. O meu dono é muito festeiro, fez fantasias
para todos os da família; Emily Christoffer sairá de “Gata Borralheira”, mãe
Débora de “A Última Tainha”, e eu de bat-cão.
Devido
à crise financeira, e também ao fato de não termos eleito nenhum representante
da zona rural para exercer a vereança, não tivemos auxílio pecuniário para os
festejos. O bom é que voltamos aos tempos antigos, tocadores de viola caiçara e
gaiteiros nos brindaram com as famosas modinhas carnavalescas.
à crise financeira, e também ao fato de não termos eleito nenhum representante
da zona rural para exercer a vereança, não tivemos auxílio pecuniário para os
festejos. O bom é que voltamos aos tempos antigos, tocadores de viola caiçara e
gaiteiros nos brindaram com as famosas modinhas carnavalescas.
Temos
três blocos por aqui; Oncinhas Taradas, Porco do Mato e Mulheres de Antenas.
Antenas é uma cidade da Grécia, foi o que disse o Pastor Silas, lugar onde os
habitantes faziam festas bacanas, chamadas de bacanais; nada como ter estudo e
saber das coisas!
três blocos por aqui; Oncinhas Taradas, Porco do Mato e Mulheres de Antenas.
Antenas é uma cidade da Grécia, foi o que disse o Pastor Silas, lugar onde os
habitantes faziam festas bacanas, chamadas de bacanais; nada como ter estudo e
saber das coisas!
Festa
de sitio é igual festa familiar, sempre acontece alguma encrenca; o pessoal do
som caprichava no repertório, e Dona Maria Micuim, melhor idade e líder do
bloco “Oncinhas Taradas”, fantasiada de “Gata no Cio”, e fraca na bebida,
ameaçou um estripe, e os músicos tascaram a marchinha “atirei o pau no gato”.
de sitio é igual festa familiar, sempre acontece alguma encrenca; o pessoal do
som caprichava no repertório, e Dona Maria Micuim, melhor idade e líder do
bloco “Oncinhas Taradas”, fantasiada de “Gata no Cio”, e fraca na bebida,
ameaçou um estripe, e os músicos tascaram a marchinha “atirei o pau no gato”.
Dona
Marcia Cristina de Oliveira Barros não gostou da sacanagem que fizeram com o
gato, e parou a música. O pessoal reclamou, mas como a Dona Marcia é a ricaça
do pedaço e estava pagando os músicos, ficou por isso mesmo. Foi então que o
garoto Manfredinho Joio, do bloco “Porco do Mato” deu um bafão, e culpou a
letra da música “Olha a cabeleira do Zezé” por preconceito.
Marcia Cristina de Oliveira Barros não gostou da sacanagem que fizeram com o
gato, e parou a música. O pessoal reclamou, mas como a Dona Marcia é a ricaça
do pedaço e estava pagando os músicos, ficou por isso mesmo. Foi então que o
garoto Manfredinho Joio, do bloco “Porco do Mato” deu um bafão, e culpou a
letra da música “Olha a cabeleira do Zezé” por preconceito.
Maria
Pérola, Maria Ágata, e Maria Esmeralda, as “irmãs joias” do bloco “Mulheres de
Antenas” se negaram à sambar a música “O teu cabelo não nega, mulata”, coisa de
gente racista, e a festa deu um tempo; cada bloco foi para um lado, e começou o
maior barraco. As “Oncinhas Taradas” ofenderam os foliões do “Porco do Mato”,
as “Mulheres de Antenas” se armaram de pedaços de paus e partiram para a briga.
Mãe Débora e sua “A Última Tainha” tentou apartar o arranca-rabo e se deu mal,
e por pouco não virou realmente a última tainha do Ribeira.
Pérola, Maria Ágata, e Maria Esmeralda, as “irmãs joias” do bloco “Mulheres de
Antenas” se negaram à sambar a música “O teu cabelo não nega, mulata”, coisa de
gente racista, e a festa deu um tempo; cada bloco foi para um lado, e começou o
maior barraco. As “Oncinhas Taradas” ofenderam os foliões do “Porco do Mato”,
as “Mulheres de Antenas” se armaram de pedaços de paus e partiram para a briga.
Mãe Débora e sua “A Última Tainha” tentou apartar o arranca-rabo e se deu mal,
e por pouco não virou realmente a última tainha do Ribeira.
Emily
Christoffer apanhou bonito, ficou de olho roxo, e as roupas da sua “Gata
Borralheira” viraram farrapos; correu para casa e foi seguida pelos taradinhos
do “Porco do Mato”, foi nesta hora que virei herói, e bat-cão atacou a
rapaziada e salvou a honra da donzela Emily, depois corri e me escondi no mato,
e fiquei escutando o discurso do Pastor Silas;
Christoffer apanhou bonito, ficou de olho roxo, e as roupas da sua “Gata
Borralheira” viraram farrapos; correu para casa e foi seguida pelos taradinhos
do “Porco do Mato”, foi nesta hora que virei herói, e bat-cão atacou a
rapaziada e salvou a honra da donzela Emily, depois corri e me escondi no mato,
e fiquei escutando o discurso do Pastor Silas;
–
Mais uma vez satanás nos tentou! Quase venceu. Venham irmãos! Arrependam-se.
Somos uma grande família, e nas grandes famílias sempre acontece algum
desentendimento; é óbvio que a velharia, as “Oncinhas Taradas”, que deviam
estar em casa, orando e vigiando, se excederam. Os meninos do bloco “Porco do
Mato” e sua belíssima letra musical, cujo o refrão é o imortal “é o porco! É o
porco! E é o porco” não deveriam agir como tarados e respeitar as “Mulheres de
Antenas”, bando de chifrudas e mal amadas.
Mais uma vez satanás nos tentou! Quase venceu. Venham irmãos! Arrependam-se.
Somos uma grande família, e nas grandes famílias sempre acontece algum
desentendimento; é óbvio que a velharia, as “Oncinhas Taradas”, que deviam
estar em casa, orando e vigiando, se excederam. Os meninos do bloco “Porco do
Mato” e sua belíssima letra musical, cujo o refrão é o imortal “é o porco! É o
porco! E é o porco” não deveriam agir como tarados e respeitar as “Mulheres de
Antenas”, bando de chifrudas e mal amadas.
Foi
a primeira vez que o Pastor Silas apanhou, e assim acabou nossa festa bacana. A
última bacanal da zona rural.
a primeira vez que o Pastor Silas apanhou, e assim acabou nossa festa bacana. A
última bacanal da zona rural.
Omisso; um cão carnavalesco
Gastão Ferreira/2017
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.