Fafá de Icapara

         No
ano de 1531 a margem do lagamar começou a surucar; foi durante a passagem da
esquadra de Martim Afonso de Souza, primeiro Donatário da Capitania de São
Vicente, capitão-mor da coroa portuguesa à caminho de Cananéia. Naquela época a
foz do Rio Ribeira ficava à frente do Morro do Bacharel, e toda a população se
fez presente para espiar as embarcações; duzentos índios, quinhentos bugres,
dois europeus, trinta caiçaras.
         No
ano de 2017 pela segunda vez na história, Icapara quebrou seu próprio recorde
de turistas; foi na 25ª Festa da Tainha; dez mil caiçaras, nenhum bugre, três
índio, cinco gaúchos, dois baianos, e um manauara. A estrela da festa não foi a
tainha, e sim uma famosa cantora.
         A
diva veio de longe, chegou à São Paulo de avião, depois de ônibus encarou por
quatro horas a BR-116; dez horas da noite, e estava em Iguape, e meia hora
depois em Icapara. A cantora estava estressada, insone, apavorada com os
mosquitos pólvoras, os gritos dos bugios, tonta com o cheiro de mato queimado
vindo do manguezal.
         Abraçou
o prefeito, algumas madames que forçaram a barra para beijá-la, e várias
crianças que nem sabiam quem era a mulher, mas se negou a dar entrevista à
imprensa local; a imprensa local se ofendeu, e baixou a ripa na visitante; – “Quem
a baleia pensa que é? Festinha de pobre! Festa boa é na Ilha Comprida.”
         Um
dos segredos mais bem guardados nas festas de Tainha, Robalo, Bagre, Manjuba e
Lambari, é o preço cobrado aos visitantes; terra do peixe, maior região
pesqueira do litoral do Estado de São Paulo, e tem o preço de um produto
importado… Só não cobram o cheiro do peixe porque pega mal.
         A
Festa em si, foi um sucesso; bares lotados, gente sorrindo, gente bebendo,
gente xingando, gente se achando. Um local para a meninada brincar, outro para
os artesão mostrarem a sua arte. No pavilhão do Centro de Eventos todos os
espaços ocupados; muita cantoria, violas, danças… Pessoas felizes.
         A
25ª Festa da Tainha foi um sucesso. Tem gente reclamando? Tem. Reclamar faz
parte do sucesso, e do inconformismo de quem não consegue aparecer; coisas
nossas! Conversando com o Tucano-rei, fiquei sabendo que em breve teremos uma
Festa do Robalo no bairro do Jairê; que beleza! Estas festas fora do centro
histórico do município trazem melhorias, trazem turistas… Hora de fazer uma
grande Festa da Manjuba na Ponte do Mathias, a margem do Rio Ribeira, paisagem
deslumbrante, o local já existe; é uma ruazinha de terra, humilde como a alma
caiçara, bela como a terra do Bom Jesus, e tem uma lanchonete da hora… Viva
Iguape! Palmas para a Princesa que está em franca recuperação.
         Espero
que na primeira festa do Jairê aproveitem nossos artistas; os violeiros
caiçaras, um grande baile ao som de viola. Coisas nossas, nossas raízes, nosso
chão… Uma peça de teatro infantil sobre nossas lendas urbanas, para que as
crianças não esqueçam nossas origens, e sem esquecer os cantadores do vale,
nossos músicos, nossos cantores; uma festa singela, uma festa para ficar na
memória.
Gastão Ferreira/2017

             

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