Dia das mães

         O
galo Agenor acordou inspirado, despertou a família com um cocorico diferente,
também pudera! Era o Dia das Mães. Eu fiquei só espiando o movimento; Milady, a
filha adolescente de meu dono, mocinha incapaz de varrer a casa, quem diria!
Fez o café da manhã.
         Pai
Xandy presenteou mãe Zilda com uma panela de pressão, dizendo; – “Um presente
para marcar a data especial.”
        
“Acho que usarei o presente na festa de aniversário de Dona Cotinha.”, disse
mãe Zilda.
         – “Que é isto, mulher! Parece que não
gostou…”                  
        
“Tudo bem, Xandy! Nossa panela estava um bagaço, nem fechava mais. Vê se me
entende! No Dia dos Pais eu te dei um relógio bem bonito, no próximo vou te dar
uma lata de tinta.”
        
“E para que eu quero uma lata de tinta?”
        
“A casa está necessitando de uma boa pintura…”
        
“Não entendi a indireta…”
        
“Hoje é o Dia das Mães, e não o Dia da Empregada Doméstica. Milady, por
milagre, fez o café da manhã. Você dá uma panela de pressão; panela não é
presente, é necessidade… O que eu mais queria era um perfume, um mimo para
recordar este dia tão especial…”
         Começou
o barraco! Pai Xandy se ofendeu, Milady fez beicinho, mãe Zilda começou a
chorar. Ficou sozinha na cozinha. Tadinha! É ela quem mantém a família unida;
varre a casa, lava a roupa, faz a comida, trabalha sem descanso o dia todo. Eu
entendia a sua tristeza. Milady ganhou um notebook de aniversário, pai Xandy um
relógio, e ela, a que carregava toda a família nas costas, ganhou uma panela de
pressão; era muito descaso!
         É
verdade que sou apenas um cachorro, mas também tenho sentimento. Mãe Zilda é
durona, não deixa eu passar da cozinha, mas nunca me maltratou; me dá banho,
passa remédio nos meus dodóis, cuida de mim como se eu fosse seu filho adotivo.
Fui até o jardim, e à muito custo consegui abocanhar uma rosa. Voltei à cozinha
e coloquei a flor no colo de mãe Zilda. Ela compreendeu que era o meu presente
para o Dia das Mães. Passou a mão na minha cabeça, e com os olhos rasos d’água
murmurou; – “Só você me entende, Omisso.”, fiquei tão feliz! Foi o melhor Dia
das Mães da minha vida.
Omisso, um cão rural
Gastão Ferreira/2017     

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