Oremos

         Dona
Márcia Cristina de Oliveira Barros, voltou apavorada da cidade grande. Reuniu
um pessoal frente à quitanda do Seu Nico, e fez um discurso; – “Povo do sítio,
o bicho está pegando! Na cidade as panelas estão vazias, famílias com água e
luz cortadas, devendo nas mercearias, nos açougues, nas farmácias, nos bares e
botecos. Pasmem! Assisti a uma passeata. Sim, uma passeata! Coisa raríssima de
ocorrer, pois a primeira passeata foi a quarenta anos, quando a população
marchou contra a construção de uma usina atômica na Juréia, e agora, quatro
décadas passadas o grito dos indignados novamente se faz ouvir. Vamos ajudar
com alimentos as pessoas necessitadas; chegou a hora de auxiliar as pessoas da
cidade grande.”
         Maria
Florzinha foi contra, disse que viu no facebook uma postagem, e que a coisa não
está tão feia assim; pessoas sorridentes participavam de uma “festa da pizza”,
aparentemente todos de bem com a vida; bem vestidos, bem amados, bem espertos.
         Ritinha
Quero-quero não gostou do aparte de Maria Florzinha; – “Quer dizer que as
pessoas de bem, honestas, humildes, caridosas, não podem se reunir para uma
rodada de pizza? Meu Bonje! Até aonde chega a inveja?”
         Ritinha
foi aplaudida, e foi vaiada. Passado o barraco, quem pode colaborou; aipim,
batata-doce, banana, maracujá, peixe seco, farinha de mandioca, chuchu, pepino
e goiaba, foram colocados no carro de Dona Márcia, e ela feliz, partiu para a
entrega dos presentes aos necessitados.
         Foi
seu Pancrácio quem deu a notícia; Dona Márcia Cristina de Oliveira Barros está
tentando pagar as dívidas da sua campanha eleitoral. Coitada! Montou uma
quitanda ambulante, e vendendo seus produtos na entrada da cidade, tudo
baratinho.
         Oremos
Omisso, um cão rural
Gastão Ferreira/2016
        
        

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