O tucano rei

                Não era um pássaro de
cativeiro, nasceu livre a margem de um grande rio na floresta amazônica. Bicho
arisco, tímido, desde filhote gostava de ler; conheceu o mundo através dos
livros, e sonhou seu futuro. Um dia deixou o lar, e voou para lugares
desconhecidos; valente aquele jovem tucano.
         Ave silvestre tornou-se cosmopolita. O
aprendizado foi longo; sozinho nas estradas da vida, nada veio de graça aos
seus caminhos; estudou, suou as penas, quase quebrou as asas, devido aos
próprios méritos, venceu.
         Somente Tupã, o pai de todos, conhece
as veredas do destino, e o moço tucano achou méritos aos olhos atentos de Tupã.
Sua sina o conduziu à uma pequena cidade, e cidade pequena é pós graduação em
vivência e vilania.
         Cidade pequena? Local onde cada
viajante é rotulado, carimbado, cuidado, moído, analisado ao bel prazer de
línguas ferinas. O tucano trabalhou com afinco, cumpriu com o seu dever dentro
das normas estabelecidas para o cargo que ocupava, mas a marca de perseguidor
dos menos favorecidos lhe foi imposta injustamente.
         Não gostava de pobre, era racista,
esnobe, elitista; ele sofreu em silêncio as ofensas gratuitas. Batalhou pelo
progresso da pequena cidade; um dia seria um tucano rei. Sem jamais desistir,
por três vezes, se candidatou ao cargo máximo do município.
         A batalha foi longa, mas mostrou
serviço, aos poucos conquistou os pobres, os sem futuros, os que queriam
mudanças e progresso para a pequena cidade. Finalmente realizou seus sonhos
juvenis, a sina marcada por Tupã, a coroação das muitas horas de estudo na
solidão, no silencio, na perseguição de seu objetivo, e assim venceu a maldade.
         Rei, tucano rei; um vencedor que deve à
si o mérito do pódio. Venceu por suas boas qualidades, e perseverança. A luta
continua, o reino animal está em festa. Viva o tucano! As brancas garças
observam caladas do manguezal, os quero-queros disputarão cargos comissionados,
os bem-te-vis espalharão mentiras, as cambacicas exigirão moradias, as belas
saíras-sete-cores querem festas, os beija-flores bajuladores não lhe darão
sossego, tamanduás e formigas tentarão denegri-lo, e os eternos urubus, os que
adoram carniça, tudo farão para tirar partido dos restos do banquete que se
avizinha.
         Um viva ao rei tucano! Que a esperança
vença o medo, que novos e promissores ventos soprem sobre a pequena cidade à
muito adormecida. Que se cumpra o destino! Novos tempos, tempo de acordar.
Tempo de colher o que foi duramente semeado com tanto amor e dedicação; que
Tupã, o pai de todos, nos abençoe. Viva o rei!
Gastão
Ferreira/2016       
          

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