Hora da onça beber água
(Texto só com expressões populares)
Minha
memória é de elefante, sem jamais comprar gato por lebre, sei muito bem que
macaco velho não põe a mão em cumbuca. Tem muito lobo, em pele de cordeiro, se
dizendo com a macaca, mas nem sempre tem boi na linha para se fazer um bicho de
sete cabeças quando a vaca vai pro brejo.
memória é de elefante, sem jamais comprar gato por lebre, sei muito bem que
macaco velho não põe a mão em cumbuca. Tem muito lobo, em pele de cordeiro, se
dizendo com a macaca, mas nem sempre tem boi na linha para se fazer um bicho de
sete cabeças quando a vaca vai pro brejo.
Naquela
manhã acordei com a macaca, fiquei uma arara, bebi feito um gambá. Com minhocas
na cabeça, e uma vontade de pegar touro à unha, fiz boca de siri. Chegou o
momento em que a porca torce o rabo, sem espírito de porco, era a hora de tirar
o cavalo da chuva.
manhã acordei com a macaca, fiquei uma arara, bebi feito um gambá. Com minhocas
na cabeça, e uma vontade de pegar touro à unha, fiz boca de siri. Chegou o
momento em que a porca torce o rabo, sem espírito de porco, era a hora de tirar
o cavalo da chuva.
Encontrei
Dito Preá, um jacu do mato, nariz de tucano, perna de saracura, e com bafo de
onça. O ditado popular diz que em rio que tem piranha, jacaré nada de costa.
Com passos de tartaruga, Dito se aproximou cheio de nove horas.
Dito Preá, um jacu do mato, nariz de tucano, perna de saracura, e com bafo de
onça. O ditado popular diz que em rio que tem piranha, jacaré nada de costa.
Com passos de tartaruga, Dito se aproximou cheio de nove horas.
O
homem fez uma tempestade em copo de água, disse cobras e lagartos, havia
provado da água que passarinho não bebe; cabelo de capivara, olhos de lince,
voz de taquara rachada, chorou as pitangas; quis me dar um abraço de tamanduá.
homem fez uma tempestade em copo de água, disse cobras e lagartos, havia
provado da água que passarinho não bebe; cabelo de capivara, olhos de lince,
voz de taquara rachada, chorou as pitangas; quis me dar um abraço de tamanduá.
Não
fui com sede ao pote, qualquer deslize e poderia chover canivetes. Manhoso,
feito cordeiro desmamado, conversei abobrinhas, misturei alhos com bugalhos, e
dei o bote certeiro; convidei o amigo da onça para ver navios, Dito Preá fez
boca de caçapa, apesar dos raios e trovões, negou-se à dar o troco.
fui com sede ao pote, qualquer deslize e poderia chover canivetes. Manhoso,
feito cordeiro desmamado, conversei abobrinhas, misturei alhos com bugalhos, e
dei o bote certeiro; convidei o amigo da onça para ver navios, Dito Preá fez
boca de caçapa, apesar dos raios e trovões, negou-se à dar o troco.
Amanhã
à Deus pertence! Um senhor santo do pau oco, este Dito Preá. Ainda não esqueci
do conto do vigário aprontado comigo. Em casa de ferreiro, espeto de pau; um
dia a casa cai. Como disse, estou armando o bote, minha vingança será maligna;
chegou a hora da onça beber água.
à Deus pertence! Um senhor santo do pau oco, este Dito Preá. Ainda não esqueci
do conto do vigário aprontado comigo. Em casa de ferreiro, espeto de pau; um
dia a casa cai. Como disse, estou armando o bote, minha vingança será maligna;
chegou a hora da onça beber água.
Gastão Ferreira/2016
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.