Doze Pratas, o amigo do rei

                                                      
         Ninguém
sabe o que aconteceu com o Joãozinho, aquele inocente menino que gritou do meio
da plebe que o rei estava pelado. O rei todo pimpão, com sua linda roupa
invisível, caríssima, de tecidos importados, e o cretino do guri se esgoelando
de berrar; – “O rei está nu! O rei está nu!”, foi assim que todos viram ao
vivo, e a cores, o tamanho diminuto da grandeza real.
         Com
o Joãozinho ninguém sabe o que aconteceu, o menino simplesmente desapareceu, e
em seu lugar surgiu um moleque apelidado de Doze Pratas, a cara do Joãozinho. Doze
pratas foi o que Joãozinho ganhou para acabar com a alegria do rei, a ideia foi
de um inimigo secreto do rei, pois todos os reis têm inimigos secretos, e eles
sempre são os piores; comem no mesmo prato, dividem o mesmo butim, viajam
juntos, beijam a mão, o pé e a orelha do rei de plantão. Mudou o rei? Lá estão
os mesmos na fotografia, todos juntos & misturados.
         O
Rei Pelado III, pois era o terceiro rei ladrão a ser pego com as mãozinhas na
massa, arrumou uma encrenca feia com um ex puxa-saco, e confusão com puxa-saco
é barraco na certa. O puxa, magoado com o seu ex amado, idolatrado, lambido rei,
estava à fim de acabar com o pouco que restava da reputação real, e partiu para
o confronto, e os finalmente.
         Doze
Pratas, agora velhusco, nem lembrava mais o garoto serelepe, e pobre de
outrora, tomou as dores Reais. Doze Pratas era por esta época conselheiro real,
educado ao extremo, humilde, defensor dos pobres e oprimidos, quase um santo,
este Rasputim. Bastou o bastardo do ex puxa-saco tomar o partido do povo, e
Doze Pratas tirou a máscara virtuosa, voltou à vilania, à esnobação, ao rancor
desmedido.
         Foi
briga de cachorro grande, o povo não apartou, mas assistiu boquiaberto o
festival de ofensas. Doze Pratas se achando cachorro grande, encheu o cachorro
pequeno de desaforos, partiu para ofensas pessoais, desfilou o negro dossiê do
ex puxa-saco na avenida, latiu, acuou, tentou morder o inimigo, no final abaixo
de vaias, enfiou o rabo entre as pernas, e escafedeu-se.
         Um
final triste para quem começou tão bem; no passado mostrou ao reino que um rei
estava nu, e agora quer porque quer mostrar, à todos que sabem que o rei está
nu, que o rei pelado está vestido.
         A
história de Doze Pratas ficou na memória do reino, mesmo hoje em dia, passado
tantos séculos do ocorrido, os pais ainda dizem para os filhos; – “Façam como o
Joãozinho! Mostrem ao mundo que o rei está nu. Não sigam o exemplo de Doze
Pratas, que sabia que o rei estava nu, mas queria convencer o povo do
contrário; vejam o que aconteceu com ele.”
         Que
será que aconteceu com Doze Pratas? Não sei! Parece que a história se esqueceu
dele. O planeta Terra é um palco, somos todos personagens… Tem bandido e tem
mocinho; por favor, escolham com cuidado as suas máscaras, e bem-vindo ao
espetáculo da vida!  
Gastão Ferreira/2016
        
        
        

Deixe um comentario

Livro em Destaque

Categorias de Livros

Newsletter

Certifique-se de não perder nada!