A noite dos vândalos

         Silveron Concerteza, primo de Anderson Cheirosinho e amigo
de Shirlaise Obrigada-eu reuniu o restante da galera para mais uma noitada de
diversão; – Hoje vamos detonar o navio da marinha!
         – Demoro! Daquela lata velha só sobrou o casco. Sou mais
pichar o chafariz da Praça São Benedito; disse Maicon Farinha.
         – Vai com calma Maicon! Já tentamos quebrar o chafariz e a
população ficou indignada; falou a menina Laysa Bang-bang.
         – Precisamos deixar a nossa marca na história da cidade, que
tal acabar de uma vez por todas com os outros três leões da passarela?
Perguntou Silveron Concerteza.
         – Sou contra! Passa muita gente por ali e vamos nos dar
mauses. Disse Shirlaise Obrigada-eu.
         – Galera! É errado o que estamos fazendo. Por que quebrar
monumentos que nenhum mal nos fizeram? Indagou Dito Bem-te-vi.
         – Qualé Bem-te-vi! Somos jovens e a cidade não oferece nada
para a gente se divertir; reclamou Concerteza.
         – Mas destruir patrimônio alheio não é diversão e sim
vandalismo, afirmou Bem-te-vi; to fora!
         Estavam assim nesse agradável bate papo quando um sem teto, sem
agasalho e sem noção, ofereceu a preço camarada algumas pedras. Pedra vai,
pedra vem e a estátua do pescador foi quebrada e derrubada.
         Na cidade sem opção de lazer aos jovens, centenas de pessoas
curtiam a Noite do Blues na Praça da Matriz, outros jovens estavam na Ilha
Comprida se divertindo na Ilha Junina e quem possuía condução estava no bairro
do Icapara na Festa da Tainha. Os bares e lanchonetes do Centro Histórico
permaneceram lotados até altas horas e nos clubes e forrós as conversas eram as
mesmas; que cidade sem opção de lazer!
         A galera de Silveron Concerteza estava eufórica; mais uma
estátua detonada! Anderson Cheirosinho, após mais uma cheiradinha, teve uma
brilhante idéia; – Pessoal! Que tal detonar o homem da montanha?
         – Muito complicado, cara! Vamos ter que usar dinamite e a
cidade pode acordar…
         – Que nada mano! Nem foguete acorda mais essa gente…
         – Gostei da idéia! Detonar o Cristo ficará na história…
         – Como vamos fazer para comprar dinamite? Dinamite é caro
pra dedéu.
         – Esquece cara! Nada de gastar dinheiro à toa! A grana é
para a maconha, a cocaína, a pedra e o álcool… Nóis zoa, mas não é otário! Vamos
nessa que tem curioso nos espiando…
         E assim enquanto os meninos do bem se divertiam na noite
iguapense, os manos do mal também se divertiam aniquilando o patrimônio público
sem saber que a noite dos vândalos jamais será esquecida, pois a morte de obras
de arte é a destruição de parte da nossa história e a história se vinga nos
relegando ao esquecimento.
Gastão Ferreira/2015           
 

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