Uma história do Diabo
         Na
Princesa do Litoral os apelidos nunca respeitaram ninguém, têm para todos os
gostos e desgosto. Alcunhas de Mandi, Baiacu, Bagre, Traíra, Guaiamu, Muçum,
são comuns e também o uso e abuso do nome do tinhoso; temos e tivemos o Diabo
Loiro, o Diabo Torto, o Diabo, diabo. 
         Conheci
um Diabo Loiro pescador de manjuba, um Diabo Torto motorista de ônibus, um
Diabo frentista de Posto de Gasolina. Conta a lenda urbana que um turista vindo
da cidade grande, na década de 80, foi abastecer seu Opala Diplomata e no final
quis pagar com cheque, pois estava sem dinheiro no bolso. Naquela época, tempo
de levar pitoco de turista, os comerciantes raramente aceitavam pagamentos em
cheque de outras praças.
         Tanque
cheio, não tinha como devolver a gasolina ao Posto, e o homem sem dinheiro, mas
com o talão de cheque do Banespa à mão, e o Banco era bem ao lado do Posto de
Gasolina. O frentista de apelido Diabo, chamou o motorista e explicou o
impasse, pedindo a compreensão do mesmo para com a situação; – “Aqui ao lado,
temos uma agência do Banespa, proponho que o senhor vá até lá e fale com o
gerente, o senhor Jesus, exponha o problema, ele é um homem compreensivo e bom,
com certeza resolverá a situação. Diga à ele, que quem mandou o senhor
conversar com ele foi o Diabo…”
         O
turista apesar de notar o insólito da história, um Diabo mandando recado para
Jesus, estava mais preocupado em seguir viagem. Foi até a agência bancaria e
perguntou à uma atendente se existia alguém ali com o nome de Jesus. “Sim! O
nosso gerente.”, informou a moça e encaminhou o cliente até a gerência.
         Resolvido
a situação, com dinheiro na mão, o turista agradeceu a gentileza do gerente do
Banco, o qual desejou uma feliz estadia ao visitante. O gerente da agência
bancaria estranhou a resposta do turista; – “Nem pensar! Quero distância desta
cidade. Nunca imaginei que existisse um lugar onde o Diabo manda e Jesus
obedece. “
         E
foi assim que mais uma Lenda Urbana nasceu na Princesa do Litoral, a cidade
onde o Diabo era amiguinho de Jesus.
Gastão Ferreira/2019

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