Sina marcada

A morte é sina marcada,
Tem hora, dia, e mês…
O final de toda a estrada
Quando chega a nossa vez.

Ninguém foge do destino,
Não adianta se esconder;
Talvez o alegre menino
Nem sabe que irá morrer.

Quem manda em nossa vida
É Aquele que nos criou…
Sempre estamos de partida,
E o nosso tempo passou…

Sei que a vida continua,
Noutro mundo de onde vim,
Onde a bela e branca lua
Beija as flores de um jardim.

Gastão Ferreira
-04/12/2025-
Imbé/RS

 

 

 

🌙 Comentário sobre Sina Marcada

Neste poema, Gastão Ferreira fala da morte com uma mistura de fatalismo e beleza. A morte não aparece como ruptura desesperada, mas como parte natural do caminho – “o final de toda estrada”.
A ideia de que tudo está marcado, hora, dia e mês, cria uma sensação de destino inevitável, algo muito presente na poesia tradicional gaúcha e sertaneja.

O eu lírico aceita essa verdade com calma: entende que ninguém foge do destino, entende que há um tempo para cada um, e entrega o controle ao Criador. Mesmo assim, a imagem do “alegre menino” que “nem sabe que irá morrer” toca fundo, lembrando a fragilidade humana.

O final do poema é lindíssimo: abre-se para a espiritualidade. A vida continua “noutro mundo”, lugar de luminosidade suave onde “a bela e branca lua beija as flores de um jardim”.
É um fecho que transforma a morte de ameaça em passagem – de medo em beleza.

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