A triste história de
Zé Bananeiro
Zé Bananeiro
Meados
dos anos setenta, asfaltamento da estrada que liga a Princesa à Br-116, início
do ciclo turístico em Iguape, gente chegando; os famosos “defora”, pessoas que
adotaram a cidade como sua e aqui montaram comércio.
dos anos setenta, asfaltamento da estrada que liga a Princesa à Br-116, início
do ciclo turístico em Iguape, gente chegando; os famosos “defora”, pessoas que
adotaram a cidade como sua e aqui montaram comércio.
Parece
mentira, mas nos anos setenta, a vida por aqui era bem animada; muitos clubes,
bailes nos sítios, festas e mais festas, cachaçadas homéricas, brigas entre
garotos de bairros, passar um dia à beira-mar era uma aventura, pois além de
enfrentar o areão a pé para chegar na praia, havia as mutucas.
mentira, mas nos anos setenta, a vida por aqui era bem animada; muitos clubes,
bailes nos sítios, festas e mais festas, cachaçadas homéricas, brigas entre
garotos de bairros, passar um dia à beira-mar era uma aventura, pois além de
enfrentar o areão a pé para chegar na praia, havia as mutucas.
O
pessoal do Porto do Ribeira brigava com a turma do Canto do Morro, o da
Guaricana com os da Vila Garcez, todos juntos brigavam contra o Centro, e
depois irmanados, todos contra a molecada do Rocio. Se bem que isso era birra
de adolescentes, ciumeiras dos namoricos entre bairros, ninguém matava ninguém.
Morte de verdade, só no Itimirim.
pessoal do Porto do Ribeira brigava com a turma do Canto do Morro, o da
Guaricana com os da Vila Garcez, todos juntos brigavam contra o Centro, e
depois irmanados, todos contra a molecada do Rocio. Se bem que isso era birra
de adolescentes, ciumeiras dos namoricos entre bairros, ninguém matava ninguém.
Morte de verdade, só no Itimirim.
No
Itimirim ocorreram grandes grilagens, e com elas chegou um pessoal de faca na
bota, melhor de peixeira afiada. Foi assim que o baiano Andrelson pegou fama;
nada de aturar desaforo! Ali só existia um valente, e o valente era ele.
Itimirim ocorreram grandes grilagens, e com elas chegou um pessoal de faca na
bota, melhor de peixeira afiada. Foi assim que o baiano Andrelson pegou fama;
nada de aturar desaforo! Ali só existia um valente, e o valente era ele.
Existe
gente que para ser feliz tem que odiar, tem que ter um desafeto para chamar de
seu. Gente mal resolvida, mal amada e algumas vezes mal comida; Andrelson
odiava Dito Mutuca. Ninguém sabia o motivo, mas o baiano não perdia a vez de
incomodar o jovem caiçara, e Dito Mutuca sempre saindo ileso das muitas
armadilhas.
gente que para ser feliz tem que odiar, tem que ter um desafeto para chamar de
seu. Gente mal resolvida, mal amada e algumas vezes mal comida; Andrelson
odiava Dito Mutuca. Ninguém sabia o motivo, mas o baiano não perdia a vez de
incomodar o jovem caiçara, e Dito Mutuca sempre saindo ileso das muitas
armadilhas.
O
maior valentão do Itimirim era o Zé Bananeiro, a fama corria longe, e muitas histórias
de arrepiar eram sussurradas nos bares e botecos. Zé Bananeiro era o único que
o baiano Andrelson respeitava, apesar de Zé ser amicíssimo de Dito Mutuca.
maior valentão do Itimirim era o Zé Bananeiro, a fama corria longe, e muitas histórias
de arrepiar eram sussurradas nos bares e botecos. Zé Bananeiro era o único que
o baiano Andrelson respeitava, apesar de Zé ser amicíssimo de Dito Mutuca.
Na
quermesse do santo padroeiro do bairro, o salão da capela lotado; quentão,
bingo, cachaça, frango assado. Uma viola caiçara soluçando, praticamente todos
os moradores do bairro ali reunidos, e entra o baiano Andrelson, furioso e
completamente alterado pela “marvada” pinga;
quermesse do santo padroeiro do bairro, o salão da capela lotado; quentão,
bingo, cachaça, frango assado. Uma viola caiçara soluçando, praticamente todos
os moradores do bairro ali reunidos, e entra o baiano Andrelson, furioso e
completamente alterado pela “marvada” pinga;
–
“Aqui não tem homem para me enfrentar! E de hoje Dito Mutuca não passa. Quem
ficar morre!”
“Aqui não tem homem para me enfrentar! E de hoje Dito Mutuca não passa. Quem
ficar morre!”
Foi
um deus nos acuda; todo mundo correndo, gente saindo sem pagar, gente passando
a mão nas prendas do bingo e se mandando… No final só ficaram no salão o
baiano Andrelson, o Zé Bananeiro e o jovem Dito Mutuca. O baiano notou que Zé
Bananeiro estava branco, branco, e trêmulo; – “Qual o problema, Zé Bananeiro?
Por que não fugiu com os outros? Vai
querer morrer junto com o amiguinho…”
um deus nos acuda; todo mundo correndo, gente saindo sem pagar, gente passando
a mão nas prendas do bingo e se mandando… No final só ficaram no salão o
baiano Andrelson, o Zé Bananeiro e o jovem Dito Mutuca. O baiano notou que Zé
Bananeiro estava branco, branco, e trêmulo; – “Qual o problema, Zé Bananeiro?
Por que não fugiu com os outros? Vai
querer morrer junto com o amiguinho…”
–
“Calma, baiano! É que me apavorei quando vi a peixeira e me borrei todo. E para
não passar vergonha frente ao pessoal do sitio, que me tem em conta de valente,
preferi ficar a ser desacreditado, mas por favor mata o Dito Mutuca longe de
mim, tenho pavor de sangue.”
“Calma, baiano! É que me apavorei quando vi a peixeira e me borrei todo. E para
não passar vergonha frente ao pessoal do sitio, que me tem em conta de valente,
preferi ficar a ser desacreditado, mas por favor mata o Dito Mutuca longe de
mim, tenho pavor de sangue.”
O
baiano Andrelson caiu na risada, teve um acesso de riso que quase o matou, quem
o salvou foi a jovem Dito Mutuca, que jogou um balde de quentão frio nas fuças
do baiano. Depois desse salvamento, acabou a bronca do Andrelson contra o
Mutuca, e começou a grande perseguição do baiano contra o Zé Bananeiro, pois
Andrelson não conseguia ser feliz sem um inimigo de estimação.
baiano Andrelson caiu na risada, teve um acesso de riso que quase o matou, quem
o salvou foi a jovem Dito Mutuca, que jogou um balde de quentão frio nas fuças
do baiano. Depois desse salvamento, acabou a bronca do Andrelson contra o
Mutuca, e começou a grande perseguição do baiano contra o Zé Bananeiro, pois
Andrelson não conseguia ser feliz sem um inimigo de estimação.
Gastão Ferreira/2018
Gastão Ferreira começou a publicar seus textos aos 13 anos. Reconhecido por suas crônicas e poesias premiadas, suas peças de teatro alcançaram grandes públicos. Seus textos e obras estão disponíveis online, reunidos neste blog para que todos possam desfrutar de sua vasta e premiada produção.