O galo Agenor
         Se
tem alguém que eu detesto mais do que um ouriço, é o galo Agenor. Dona Cotinha
cria algumas galinhas, umas frangas caipiras que vivem fugindo do galinheiro, e
destruindo as hortas alheias. Meu primo, o cão Barrabás, cachorro do Pastor Silas,
arrumou uma encrenca feia com o galo Agenor.
         A
franguinha Izildinha Penosa veio ciscar aonde não devia, Barrabás que é o
encarregado de zelar pelo pátio da casa, tentou expulsar a intrusa; Izildinha
abriu a maior gritaria, e galo Agenor correu à socorrê-la. Barrabás levou a
maior surra, na verdade, a segunda maior surra. A primeira foi quando enfrentou
um porco espinho, e ficou de molho por alguns dias.
         Fizemos
uma reunião com a cachorrada do sitio, e elegemos Agenor o nosso inimigo número
um, em segundo lugar ficou o gato Bedboy, o petista. Duas pragas que nem
deveriam existir; Agenor e Bedboy.
         Quando
a grande caravana petista de Ilha Comprida, passou pelo sitio, à caminho de
Curitiba, Bedboy escapuliu de um dos dois carros que eram a grande expedição, e
foi abandonado. Nunca vi um gato para gostar tanto de mortadela! Dona Brasília
adotou o gatinho, isso é o que ele diz, mas na verdade Dona Brasília, a
vermelha, apenas ficou alimentando o gato, até o retorno da caravana, e eles
nunca voltaram.
         Agenor
é de cor vermelha, o gato Bedboy é comunista, talvez seja esse o motivo da
grande amizade que os une. Gato esperto, o Bedboy! Pôs na cabecinha do Agenor
que a terra não tem dono, que invadir propriedade particular é a regra, e não a
exceção. É um gato dos Sem Terra, sem educação, sem noção.
         Conversamos
com a galinha mais velha do sitio, Dadá Bilú, e pedimos que ela demovesse
Agenor das invasões às hortas; tadinha! Bem que tentou. Foi estuprada cinco
vezes, e virou fã do Agenor. O filhote Bizeu, aquele que estamos treinando para
presentear ao nosso amado prefeito, deu a ideia de procurarmos a raposa Doca,
nossa inimiga e inimiga mortal dos galináceos; – “Se não podes vencer o teu
inimigo, una-se a um inimigo comum”, Bizeu vai longe! Um cão politiqueiro. 
         Fizemos
um acordo com a raposa Doca; ela daria um fim no galo Agenor, e nós, os
cachorros faríamos vista grossa para as suas rapinagens, ela aceitou. Esperta,
a Doca, fez amizade com o gato Bedboy, convenceu o bichano, criado na cidade
grande, de que era uma inocente capivara, e o besta acreditou. Bedboy promoveu
um encontro entre a raposa e o galo.
         A
briga foi feia; Agenor achou que o gato Bedboy o entregara de bandeja à pior
inimiga, e atacou os dois. A raposa perdeu a parada, e fugiu para a mata com
Bedboy, o seu futuro jantar. Agenor perdeu algumas penas, as mais vistosas,
parece que o franguinho Romeu irá substitui-lo no coração das franguinhas
sonhadoras.
         O
cachorro Platão, que mora na casa do professor Sócrates, nos deu um puxão de
orelhas; – “O galo Agenor só está cumprindo com suas obrigações; deixem o bicho
em paz! Ele é o dono do terreiro, e defende o que é seu; aprendam com ele. Liderança
é para poucos, e Agenor é um grande líder”
         Passamos
à ver Agenor com outros olhos, a paz voltou a reinar no sítio, agora sem a
presença de Bedboy e da raposa Doca. O maior sossego, só interrompido pela
gritaria das franguinhas, todas divididas entre a experiência do galo Agenor, e
a paixonite pelo franguinho Romeu… Tem mais histórias por aí.
Omisso, um cão rural
Gastão Ferreira/2018   
          

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